Elisabete Constantino, CEO da Constantinos, reflete sobre 35 anos de uma história familiar que transformou o bacalhau português num símbolo de tradição e qualidade, agora renovada com uma imagem moderna que alia inovação e autenticidade no mercado global.
35 anos de história é um marco notável. Que momentos considera mais emblemáticos nesta jornada da Constantinos, desde a visão inicial de José Constantino até à referência mundial que são hoje?
A nossa história é feita de momentos simples, mas com enorme significado. Tudo começou com a coragem do meu pai, José Constantino, um homem de visão que acreditava que o bacalhau podia ser mais do que um produto – podia ser uma paixão nacional levada ao mundo. Tudo começou com uma pequena mercearia de onde “tirámos” 25 anos de grande experiência no comércio de bacalhau grossista. A Constantinos nasceu em 1990, pela mão dos filhos Constantinos, em menos de uma década vimos nascer as nossas instalações em Torres Vedras, em 1997. Claro que fomos dando cada passo com muito trabalho, persistência e grande aposta na qualidade. Em 2006 criámos uma unidade em Aveiro com o intuito de reforçarmos a nossa linha de produção. Hoje, ao celebrarmos 35 anos, sentimos orgulho por ver que o nome Constantinos se tornou sinónimo de confiança, tradição e excelência. São 35 anos de uma história familiar que cresceu sem nunca perder o essencial: a alma portuguesa que dá sabor ao nosso bacalhau e sentido ao nosso propósito.

A nova imagem da marca em 2025 reflete o equilíbrio entre tradição e inovação. O que motivou esta renovação e como traduz visualmente a identidade e os valores da Constantinos?
A renovação da nossa imagem nasce da vontade de olhar para o futuro sem perder as raízes. Chegar aos 35 anos foi o momento ideal para repensar a forma como comunicamos aquilo que sempre fomos: uma marca com alma tradicional, mas mente inovadora. A nova identidade visual traduz isso mesmo – um design mais contemporâneo, limpo e emocional, que reforça o nosso posicionamento premium e a autenticidade da marca. As linhas são mais modernas, mas o logótipo continua a carregar o peso da nossa história. É a forma de dizer ao mundo: “somos a mesma Constantinos de sempre, agora com uma nova energia para o futuro”. A nova imagem do bacalhau constantinos é uma ode à cultura e gastronomia portuguesa, carregada de símbolos e tradição e pretende trazer a portugalidade para um produto que não tem origem nacional.
Como é que a Constantinos tem conseguido manter a autenticidade do produto ao mesmo tempo que responde às exigências de um mercado global cada vez mais competitivo?
O segredo está em respeitar o tempo e a tradição. Continuamos a curar e a salgar o bacalhau como se fazia antigamente, com o mesmo rigor e com tempo. É esse processo artesanal que dá ao nosso produto a textura, o aroma e o sabor inconfundíveis. Se por um lado, respeitamos a tradição, por outro lado, investimos continuamente em tecnologia, certificação e inovação, para garantir padrões de qualidade à altura dos mercados mais exigentes. Conseguimos unir dois mundos que parecem opostos: a alma artesanal e o rigor industrial. Enquanto algumas empresas correm atrás de tendências, nós preferimos seguir o nosso propósito – preservar o sabor autêntico, com as ferramentas e o conhecimento do século XXI. É isso que nos permite competir globalmente sem perder aquilo que nos torna únicos: a verdade do bacalhau português.
De que forma a Constantinos garante que o seu bacalhau provém de fontes sustentáveis e como têm evoluído as práticas ambientais dentro da empresa?
A sustentabilidade faz parte da nossa cultura, não apenas da nossa estratégia. Todo o bacalhau que trabalhamos provém de fontes certificadas e legais, capturado por embarcações com quotas e artes de pesca responsáveis. Acompanhamos de perto toda a cadeia de valor – da origem ao produto final – garantindo total rastreabilidade. Nas nossas instalações, temos vindo a reduzir o consumo de energia e água, com o investimento em painéis solares e em sistemas de tratamento e reaproveitamento de efluentes. Reciclamos, otimizamos processos e escolhemos parceiros que partilham da mesma visão sustentável. O sal na nossa produção é reaproveitado pelas indústrias de curtumes, permitindo uma economia circular que é possível através de parcerias que partilham os mesmos valores que nós. Por fim, proteger o mar é proteger o futuro da marca e das próximas gerações. A sustentabilidade é o fio que liga tudo o que fazemos – desde a pesca até ao prato do consumidor.
A responsabilidade social é outro ponto forte da vossa atuação. Que importância tem o envolvimento com instituições locais e o apoio à comunidade de Torres Vedras para a identidade da empresa?
A nossa identidade está profundamente ligada à comunidade que nos viu nascer. Em Torres Vedras, não somos apenas uma empresa – somos uma família alargada. Desde o início, fazemos questão de trazer para a empresa pessoas da região, empregamos famílias, com várias gerações. Apoiamos instituições locais que promovem a inclusão de pessoas com deficiência, colaboramos com escolas e associações e priorizamos fornecedores da nossa terra. Acreditamos que o sucesso empresarial só faz sentido quando é partilhado – e que a verdadeira sustentabilidade começa nas pessoas. Na Constantinos, a responsabilidade social não é um departamento: é uma forma de estar, uma expressão natural dos nossos valores e do nosso compromisso com a comunidade.
A internacionalização começou com Angola e, hoje, chega a vários continentes. Quais têm sido os principais desafios e oportunidades na expansão para mercados como o Brasil, Austrália e Estados Unidos?
A nossa internacionalização nasceu de uma forma muito genuína – através do “mercado da saudade”. Os portugueses espalhados pelo mundo levaram consigo a vontade de comer o bacalhau da sua terra, e nós apenas seguimos esse caminho.
Hoje, exportamos para vários continentes e sentimos que cada novo mercado é uma oportunidade de levar Portugal ao mundo. Os desafios são muitos – desde a logística até à adaptação às normas internacionais –, mas as oportunidades superam tudo: há um enorme interesse global pela autenticidade e pela gastronomia portuguesa. Para nós, cada nova fronteira representa uma extensão da nossa missão: fazer do bacalhau um embaixador do sabor e da cultura portuguesa.
O prémio Sabor do Ano e o estatuto de PME Líder são reconhecimentos consistentes ao longo dos anos. O que considera ser o segredo por trás dessa constância na qualidade e desempenho?
O verdadeiro segredo é simples: a nossa exigência que é diária, desde a escolha da matéria-prima até ao cuidado com cada embalagem. Trabalhamos com paixão, e isso nota-se no resultado final. Os prémios como o Sabor do Ano ou o estatuto de PME Líder são um reconhecimento externo daquilo que internamente sempre valorizámos: a consistência. Acreditamos que o sucesso não se constrói com pressa, mas com coerência. E quando uma marca é coerente, autêntica e fiel aos seus valores, a confiança do consumidor torna-se o maior prémio de todos.
Olhando para o futuro, quais são as grandes metas e apostas da Constantinos para a próxima década – seja em inovação, digitalização, sustentabilidade ou novos mercados?
O futuro da Constantinos será uma extensão natural da nossa história – crescer com propósito, inovar com responsabilidade e continuar a honrar a tradição. Vamos continuar a investir em sustentabilidade energética, na digitalização da experiência de marca e na expansão internacional, reforçando a presença nos mercados onde a marca já é reconhecida e explorando novos destinos. Queremos também continuar a surpreender os consumidores com produtos convenientes, sustentáveis e premium, que mantenham o sabor de sempre, mas adaptados às novas rotinas e estilos de vida. Mais do que crescer em volume, queremos crescer em valor – para os nossos clientes, colaboradores, parceiros e para o planeta. Porque a nossa visão é clara: ser uma marca global com alma portuguesa, onde a tradição e a inovação caminham lado a lado.






