Mais de 250 empresas em Portugal já recorrem à metodologia da Great Place To Work, refletindo uma aposta crescente na confiança, no bem-estar e na escuta ativa dos colaboradores. Mauricio Korbivcher, CEO & Country Manager da GPTW®, sublinha que ouvir e agir com base no feedback das pessoas é hoje determinante para alinhar cultura organizacional, inovação e desempenho.
Como têm evoluído as prioridades das empresas portuguesas no que respeita à construção de culturas de confiança e bem-estar, e de que forma a Great Place To Work® tem acompanhado essa mudança?
As prioridades evoluíram significativamente, o empenho das empresas é visível pelo crescimento de organizações que utilizam a nossa metodologia e o aumento de empresas Certificadas que já ultrapassa as 250 Empresas. Em 2026, as 50 Melhores atingiram o índice de confiança mais alto de sempre (90%), o que representa 32 pontos percentuais acima da média do mercado. Para acompanhar esta evolução, reforçámos o apoio consultivo direto em cada projeto, com mais dados, benchmarks, sessão de Culture Coaching e continuamos a oferecer ao mercado relatórios gratuitos de tendências (Wellbeing, IT e Best Workplaces™), além de palestras e conteúdos no nosso blog que apoiam a tomada de decisão dos gestores de pessoas que têm uma enorme receção.

Em que medida os dados recolhidos pela GPTW permitem identificar novas tendências sobre o estado da experiência de trabalho em Portugal?
Recolhemos dados globalmente em empresas de todas as dimensões, o que nos permite criar benchmarks sólidos. Identificamos tendências porque percebemos, em tempo real, o que os colaboradores exigem e o que realmente funciona. É neste equilíbrio que as empresas que utilizam os nossos dados acabam por definir as tendências do mercado, antecipando as necessidades das suas pessoas.
Hoje fala-se muito de propósito, liderança empática e inclusão. Que práticas concretas diferenciam, na vossa perspetiva, as empresas que realmente vivem esses valores das que apenas os comunicam?
O primeiro disclaimer necessário é que os benchmarks só são válidos se ouvirmos as pessoas e entendermos se essas práticas se alinham com as suas expectativas; não adianta “copiar” se isso não estiver alinhado com a cultura da empresa.
Quanto à liderança e inclusão, vemos que as empresas mais bem-sucedidas se focam em algo muito simples: ouvir e agir. É fundamental auscultar ano após ano e aplicar melhorias constantemente. Os desafios não são estáticos; só através desta monitorização contínua é que a liderança pode ser verdadeiramente empática e suprir as necessidades reais das pessoas.

A Inteligência Artificial está a transformar o mundo do trabalho a um ritmo sem precedentes. Como podem as organizações garantir que a humanização do ambiente laboral não se perde nesta transição tecnológica?
É necessário que as formalizem que a IA é membro da equipa: ela agrega valor e não substitui o capital humano. O segundo passo é garantir que as pessoas tenham acesso à formação e integração, algo que ainda é uma lacuna em muitas organizações.
Nesta gestão, a agilidade e a inovação são componentes indissociáveis. Sem agilidade para capacitar as pessoas, não existe adaptação aos novos processos, colaboração ou confiança. Consequentemente, isso bloqueia a inovação, criando barreiras à geração de novas ideias.
Nos Best Workplaces™ e nas empresas Certified™, este passo foi dado atempadamente, gerando confiança na utilização destas ferramentas para a tomada de decisões. Há vários anos que medimos o IVR (Índice de Velocidade de Inovação) dentro das organizações – um valor que nos revela o nível de atrito dos colaboradores perante a inovação. Este índice está diretamente ligado à capacidade da gestão em gerar confiança, tornando possível uma planificação atempada e estruturada para superar os desafios. Nas 50 Melhores, 88% dos colaboradores sentem-se preparados para este desafio, porque as empresas investiram estrategicamente nessa preparação.
Que papel desempenha a escuta ativa dos colaboradores no desenho das estratégias empresariais mais bem-sucedidas, e como podem as lideranças transformar esse feedback em ações com impacto?
A excelência de um ambiente de trabalho começa na liderança e sustenta-se na confiança. Quando os colaboradores confiam nos seus líderes, criam-se as bases para uma organização saudável e de alto desempenho. Sem confiança, surge a resistência e o receio; com confiança, fortalece-se o compromisso, a inovação e os resultados.
Não é por acaso que as 50 Melhores empresas para trabalhar faturam 5x mais do que o crescimento do PIB. A pergunta a fazer é: as empresas vão continuar a planear sem ouvir? Quem pratica a escuta ativa faz o diagnóstico e corrige a trajetória. A escuta ativa é o mediador entre as necessidades dos colaboradores e os objetivos do negócio, permitindo alinhar o propósito de todos.
Se tivessem de deixar uma mensagem final às organizações que querem, hoje, ser verdadeiramente um Great Place To Work, qual seria o primeiro passo – e o mais importante – que não podem ignorar?
Ouvir, Ouvir e Ouvir e só depois Agir, Agir e Agir. É fundamental compreender que de nada servem os reconhecimentos externos se o compromisso genuíno não começar nas suas próprias pessoas. No nosso processo, essa distinção é extremamente evidente. A certificação não é o destino, mas sim o resultado de uma liderança que escolhe escutar ativamente os seus colaboradores e transformar esse feedback em mudanças concretas. Sem este ciclo de escuta e ação, não existe confiança; e sem confiança, não se constrói um Great Place To Work.






