A CS Wind Portugal está a consolidar o seu papel na estratégia europeia do grupo, com Aveiro a ganhar relevância na produção e exportação de componentes para a indústria eólica. Em entrevista, o Diretor-Geral JS Kim destaca o crescimento da operação e as ambições para o mercado internacional.
A CS Wind Portugal faz parte de um grupo de referência global no setor da energia eólica. Como tem contribuído a unidade portuguesa para a estratégia internacional da empresa e que papel desempenha atualmente na cadeia de valor global?
A CS Wind Portugal é hoje uma parte estratégica do Grupo CS Wind na Europa. Desde que entrou em Portugal em 2021 e criou a CS Wind Portugal em 2022, a unidade nacional ganhou escala, capacidade industrial e relevância internacional, combinando o know-how metalúrgico existente em Aveiro com a experiência global do grupo. A partir de Ílhavo e Sever do Vouga, a empresa produz componentes críticos para energia eólica terrestre e offshore, exportando para os mercados europeus e para os Estados Unidos. A localização junto ao Porto de Aveiro permite-lhe responder a projetos de grande escala, com fortes requisitos logísticos, e posiciona Portugal como base de abastecimento para a cadeia de valor global da energia eólica, especialmente no estrangeiro.

Inserido num ecossistema industrial dinâmico como o de Aveiro, como caracteriza a relação da CS Wind Portugal com o tecido empresarial, académico e institucional da região, e que impacto considera que esta proximidade tem na sua capacidade de inovação?
A relação com Aveiro é um fator central na competitividade da CS Wind Portugal. A empresa faz parte de um território com tradição industrial, competências em metalurgia, infraestruturas portuárias e instituições que têm vindo a preparar a região para a economia de energias renováveis offshore. A proximidade ao Porto de Aveiro é especialmente relevante: permite transportar grandes cargas, testar novas soluções logísticas e criar condições para atrair novos projetos industriais. Mantemos também uma relação ativa com entidades institucionais ligadas à energia e à transição energética, universidades e escolas. Estas parcerias permitem-nos receber estagiários para completar o seu percurso académico em diferentes níveis – desde cursos profissionais a graus universitários – e colaborar no desenvolvimento de cursos de formação mais adaptados às nossas necessidades e realidade. No entanto, ainda há muito por fazer no que diz respeito a este tema.
Num setor altamente competitivo e em constante evolução tecnológica, quais têm sido os principais vetores de investimento da CS Wind Portugal em termos de modernização industrial e eficiência produtiva?
Os principais vetores de investimento têm sido o aumento da capacidade, a modernização dos processos produtivos e a preparação para componentes offshore de maior dimensão. Entre os marcos mais relevantes estão a construção e arranque de uma nova unidade industrial, a expansão das instalações no Porto de Aveiro e o investimento adicional em Sever do Vouga. A nível tecnológico, a empresa tem que destacar a automatização de processos como a soldadura, decapagem automática e metalização automatizada, com impacto direto na produtividade, qualidade e eficiência. Estes investimentos reforçam a capacidade da unidade portuguesa para responder a clientes internacionais num setor onde prazos, escala, rastreabilidade e requisitos técnicos são decisivos.
A sustentabilidade é um eixo central na indústria energética. Como é que a CS Wind Portugal integra práticas sustentáveis na sua operação e como contribui, desde Aveiro, para a transição energética global?
A CS Wind Portugal contribui para a sustentabilidade em duas dimensões: através do produto que fabrica e da forma como organiza a sua atividade. Ao produzir torres e fundações para parques eólicos, participa diretamente na expansão das energias renováveis e na transição energética global. A empresa encontra-se no processo de implementação de políticas ESG, uma vez que a sua gestão já estava assim estruturada, procurando alinhar o crescimento industrial, a responsabilidade ambiental e a resposta às exigências sociais atuais. Em Aveiro, esta contribuição ganha uma dimensão territorial: o desenvolvimento da capacidade industrial offshore, articulado com o Porto de Aveiro, pode fortalecer um setor nacional ligado às energias renováveis dos oceanos.

Atrair e reter talento qualificado é hoje um desafio transversal. Que estratégias desenvolveu a CS Wind Portugal para se afirmar como uma marca empregadora de referência na região?
A atração e retenção de talento acompanharam o crescimento da operação. A empresa conta agora com cerca de 1000 colaboradores entre as suas unidades Onshore e Offshore e afirmamos que, sem dúvida, o investimento em pessoas é um dos pilares do nosso desenvolvimento. A estratégia envolve segurança, envolvimento da equipa, desenvolvimento de competências e proximidade às famílias, como demonstrado pela criação do Dia da Família, no qual os familiares dos trabalhadores visitam a fábrica e participam em atividades. A integração num grupo global é também um fator diferenciador, permitindo a partilha de conhecimento, a mobilidade de especialistas e o acesso a práticas industriais internacionais. Todos os anos damos milhares de horas de formação especializada, estamos à procura de pessoas especializadas na área metalomecânica no mercado e procuramos estabelecer algumas medidas de retenção que consideramos interessantes para os nossos trabalhadores. Mas numa área com pleno emprego, não é uma tarefa fácil captar e reter pessoas. A CSWind Portugal também tem a vantagem de poder contactar outras empresas irmãs do grupo para ter trabalhadores especializados nas nossas instalações, usados na fabricação dos nossos produtos. No entanto, o nosso principal objetivo é que estas pessoas formem os locais e que cresçam dentro da nossa empresa.
Olhando para o futuro, quais são as principais ambições da CS Wind Portugal para os próximos anos e como prevê continuar a contribuir para a transformação económica e industrial de Aveiro?
Nos próximos anos, a ambição da CS Wind Portugal é consolidar a sua posição como referência europeia na fabricação de componentes eólicos e, em particular, reforçar a sua competitividade em termos de custos na fabricação de torres eólicas. Ao melhorar continuamente a produtividade, eficiência e excelência operacional, a empresa pretende garantir uma vantagem competitiva mais forte no mercado europeu. Com base nesta competitividade reforçada, a CS Wind Portugal pretende também aumentar gradualmente a quota das exportações para os EUA, um mercado que se espera que continue a crescer nos próximos anos. Ao mesmo tempo, a empresa poderá continuar a contribuir para Aveiro, criando emprego qualificado, fortalecendo a base industrial, atraindo investimento estrangeiro e afirmando a região como um centro na cadeia de valor da energia eólica offshore.








