PUB

PUB

Crossflex projetos à medida das pessoas

Data:

Partilhar

Andreia Cardoso e Bruno Lopes são os Gerentes da Crossflex, empresa criada em 2019 Desde o início, o recrutamento especializado esteve no centro do negócio — e continua a ser uma das áreas que mais atenção lhes exige. Num setor onde nem sempre é fácil encontrar profissionais qualificados e onde os projetos podem mudar de um momento para o outro, há uma preocupação que se mantém: não colocar uma pessoa num projeto apenas porque é preciso preencher uma vaga.

Com uma equipa de 42 profissionais e cerca de 80% a atividade internacional concentrada nos Países Baixos, a empresa está presente em áreas bastante exigentes, como a indústria petroquímica, a construção naval, as estruturas offshore, as plataformas de extração, as minas e, mais recentemente, as energias renováveis. Em cada novo projeto, a pergunta não é apenas quem está disponível. É perceber quem tem as competências certas, a experiência necessária e o perfil adequado para aquele trabalho.

É precisamente aí que Andreia Cardoso e Bruno Lopes começam o processo. Antes de procurar alguém, procuram perceber bem aquilo que o cliente precisa, as características da função, as condições do projeto e, sobretudo, o tipo de profissional que pode responder a essas exigências. O recrutamento, para os dois, não é apenas encontrar um nome para uma vaga. É conhecer pessoas e perceber onde podem fazer a diferença.

 

Andreia Cardoso e Bruno Lopes, Gerentes da Crossflex

 

“O não é uma resposta”

Bruno Lopes resume esta forma de trabalhar de maneira muito simples: “O não é uma resposta”. Quando não encontram a pessoa certa, preferem dizer que não a aceitar um projeto e colocar alguém numa função para a qual não tem preparação ou experiência suficientes. É uma decisão que pode significar perder uma oportunidade no imediato, mas que, a longo prazo, ajuda a preservar a confiança construída com os clientes e com os próprios profissionais.

Essa confiança tem sido particularmente importante nos Países Baixos, um mercado que conhecem há muitos anos e onde as relações profissionais acabam por contar muito. A ligação entre os dois países esteve presente desde o início da empresa, num contexto em que existia procura por profissionais portugueses qualificados.

Ao longo dos anos, essa rede foi crescendo através dos projetos, dos clientes e, sobretudo, das pessoas. É também por isso que o conhecimento do mercado holandês continua a ser uma das principais bases do trabalho que fazem hoje.

 

 

Duas histórias que se cruzaram

Andreia Cardoso já trazia experiência de uma empresa holandesa e onde acompanhou de perto processos de constituição e desenvolvimento. Conhecia a realidade administrativa e organizacional e acabaria por assumir uma componente mais ligada aos Recursos Humanos e Gestão.

Bruno Lopes tem um percurso mais ligado ao terreno. Está há 23 anos na Holanda, para onde foi inicialmente como ajudante. Mais tarde, tornou-se team leader e project manager, acumulando conhecimento técnico e dos projetos. Os dois já se conheciam há vários anos e a confiança construída anteriormente pesou quando decidiram avançar. Nem sempre têm a mesma opinião, mas a divergência é encarada como brainstorming. A comunicação diária permite testar ideias, corrigir decisões e avançar. “Estamos sempre muito alinhados”, resumem. É uma dinâmica útil numa empresa que vive entre diferentes realidades. Há exigências portuguesas, holandesas e europeias a cumprir, além das regras de cada cliente e projeto.

O maior desafio continua a ser encontrar pessoas

Se os projetos são exigentes, os profissionais também têm de o ser. Encontrar profissionais qualificados é, hoje, um dos maiores desafios. Algumas competências são difíceis de encontrar e, ao mesmo tempo, há cada vez mais pessoas menos disponíveis para aceitar projetos prolongados fora de Portugal.

Para quem tem família e vida estabelecida no país, trabalhar no estrangeiro implica fazer contas que vão muito além do salário. É preciso saber para onde se vai, em que condições se vai trabalhar, quanto se vai receber e durante quanto tempo. Para Andreia e Bruno, essa transparência é essencial desde o primeiro contacto.

 

 

As pessoas não são números

A valorização dos profissionais também passa pela capacidade de reconhecer aquilo que pode existir para lá do currículo. Um dos casos recordados durante a conversa é o de um trabalhador que chegou com experiência como camionista. Ao longo do contacto com a equipa, foram identificadas outras capacidades e surgiu a possibilidade de apostar na sua formação.

O percurso acabou por levá-lo até funções de inspetor num projeto internacional. É um exemplo de uma lógica que Andreia e Bruno procuram aplicar: não olhar apenas para aquilo que uma pessoa sabe fazer naquele momento, mas também para aquilo que poderá vir a fazer.

Há outros profissionais que começaram como técnicos e foram assumindo novas responsabilidades ao longo do tempo. O recrutamento acaba, assim, por não terminar no momento em que alguém é escolhido para um projeto. Existe também um acompanhamento e uma atenção à evolução de cada pessoa.

Manter uma relação próxima com os profissionais também significa aceitar que, por vezes, eles vão sair. Num negócio muito dependente dos projetos, nem sempre é possível garantir continuidade e há quem encontre outras oportunidades pelo caminho.

O que faz a diferença é a forma como essa saída acontece. Num setor em que as pessoas e as empresas se cruzam várias vezes, ao longo dos anos, manter uma porta aberta pode revelar-se tão importante como saber contratar.

Quando o mercado muda, a estratégia também muda

Depois de um 2025 particularmente positivo, 2026 está a ser encarado com alguma cautela. A instabilidade económica e geopolítica obriga a acompanhar mais de perto aquilo que acontece no mercado e a adaptar os planos sempre que necessário.

“É sempre um dia de cada vez”, dizem Andreia e Bruno. A frase traduz bem uma realidade em que os projetos podem começar, terminar ou sofrer alterações de forma inesperada. Quando um trabalho chega ao fim, por exemplo, é preciso encontrar rapidamente uma nova solução para os profissionais que ficam disponíveis.

Ao mesmo tempo, surgem novas oportunidades. A transição energética está a abrir espaço para projetos ligados às energias renováveis, incluindo o offshore wind, e a necessidade de profissionais especializados deverá continuar a existir. Também tivemos um projeto pioneiro na Europa que o cliente transforma resíduos domésticos mistos num recurso infinito que substitui os plásticos à base de petróleo.

Um prémio recebido sem parar o trabalho

O crescimento também acabou por ser reconhecido externamente, através de distinções como o Prémio Gazela e o PME Líder. No caso do Prémio Gazela, a notícia chegou quando Andreia e Bruno estavam nos Países Baixos e não era algo que estivessem à espera de receber.

Mesmo assim, o trabalho continuou. A representação na cerimónia ficou entregue à equipa, enquanto os dois mantiveram os compromissos profissionais que tinham assumido. Foi, de certa forma, mais um exemplo da necessidade de confiar nas pessoas que fazem parte da empresa.

 

 

Crescer sem perder o controlo

Portugal continua a fazer parte dos planos, mas não a qualquer custo. A ideia de reforçar a presença no mercado nacional existe, desde que seja possível trabalhar com clientes que reconheçam o valor dos profissionais qualificados.

As condições são diferentes das encontradas nos Países Baixos. As margens são mais apertadas e a carga fiscal pesa na operação, o que leva a uma escolha mais criteriosa dos projetos e dos clientes.

A questão não é simplesmente conseguir mais trabalho, mas encontrar trabalho que faça sentido para todas as partes.

Por isso, o próximo passo não passa por crescer de forma descontrolada. Há espaço para reorganizar processos, trabalhar a imagem da empresa e preparar novos projetos, mantendo a estrutura preparada para responder quando surgirem oportunidades.

O recrutamento continua a ser o centro da atividade. A prioridade é conseguir responder às exigências dos clientes sem baixar os critérios de seleção e sem perder a relação de proximidade com os profissionais.

Já houve projetos pontuais na Alemanha e poderão surgir novas oportunidades noutros mercados europeus, como a Bélgica.

A expansão, contudo, deverá continuar a ser feita de forma ponderada.

Quase uma década depois da criação da empresa, aquilo que Andreia e Bruno identificam como uma das suas estratégias passa por saber quais os projetos que fazem sentido, encontrar as pessoas certas, dizer não quando é preciso e manter relações que possam durar para lá de um contrato. Crescer, sim, mas sem deixar pelo caminho aquilo que esteve na base do projeto desde o início: as pessoas.

Newsletter


 

 

 

 

This will close in 5 seconds