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A evolução de um legado familiar

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Fundada há 26 anos por Alberto Fonseca, a Fonsecafuros, Captações de Água, Lda afirma-se como uma empresa familiar que, recentemente, alargou a sua atividade ao setor agrícola com a criação da BioFonsecas- Hortícolas, Lda. Atualmente, a integração dos filhos no negócio reforça a continuidade e sustenta o crescimento do projeto empresarial.

Origens do percurso empresarial

Alberto Fonseca, Administrador das empresas Fonsecafuros e BioFonsecas, construiu o seu percurso empresarial a partir de uma forte ligação à agricultura e de um interesse precoce pela localização e captação de água subterrânea. “O contacto com esta atividade começou desde cedo, quando procurava formas de obter água para regar hortas escolares”. Essas experiências despertaram-lhe o interesse pela identificação de água no subsolo, levando-o, a ganhar reconhecimento na região pela sua capacidade de indicar locais adequados para abrir poços e furos.

 

Renato Fonseca, Alberto Fonseca, Fátima Fonseca e Rafael Fonseca

 

Crescimento da empresa

O Gerente da Fonsecafuros associa essa capacidade à observação, dedicação e experiência, valorizando mais o conhecimento adquirido no terreno do que a aprendizagem exclusivamente teórica. O empresário explica que: “O crescimento da empresa aconteceu de forma gradual, inicialmente ligado à agricultura. Os rendimentos obtidos com a marcação de furos foram sendo reinvestidos na compra de maquinaria e equipamentos agrícolas”.

Mais tarde, perante dificuldades observadas no trabalho de outras empresas de perfuração, decidiu construir as suas próprias máquinas. Segundo refere, “muitas das máquinas atualmente utilizadas na empresa foram desenvolvidas internamente, adaptadas às necessidades específicas do setor e às condições do terreno em Portugal”. Para Alberto Fonseca, a fiabilidade e robustez dos equipamentos são mais importantes do que o excesso de tecnologia, considerando que muitos sistemas modernos acabam por gerar mais avarias e custos de manutenção.

Relação de confiança com os clientes e atividade agrícola

O empresário afirma que muitos clientes antigos já não discutem preços nem decisões técnicas, deixando ao seu critério a escolha da profundidade, localização e estratégia dos furos. “Essa confiança resulta, da qualidade do trabalho realizado e dos resultados alcançados ao longo da sua carreira”, frisa.

Alberto Fonseca aborda ainda a dificuldade em encontrar mão de obra qualificada e motivada: “Muitos jovens demonstram pouca vontade de assumir responsabilidades ou aprender uma profissão exigente, embora reconheça que existem exceções”, refere. Destaca igualmente a importância da formação interna dos trabalhadores, referindo que grande parte da equipa foi preparada dentro da própria empresa. Para além da atividade ligada aos furos, Alberto Fonseca dedica-se também à agricultura, especialmente à produção de lombardas e corações destinados à exportação para países como Inglaterra e Itália. No entanto, demonstra preocupação com a situação atual do setor agrícola, nomeadamente com a redução das margens de lucro, os baixos preços pagos aos produtores e a dificuldade em garantir rentabilidade.

 

 

Transmissão geracional e continuidade da empresa familiar

A família Fonseca sublinha que a educação, o exemplo de trabalho e a herança empresarial construída ao longo dos anos tiveram um papel determinante no envolvimento dos filhos no negócio.

Segundo Fátima Fonseca, responsável financeira, a prioridade sempre foi que os filhos concluíssem os estudos, considerando o ensino uma mais-valia fundamental para o futuro. Refere ainda que “o saber não ocupa lugar”, salientando a incerteza associada à evolução das empresas e às crescentes dificuldades na contratação de mão de obra qualificada. Ainda assim, os filhos acabaram por integrar o negócio familiar, impulsionados pela ligação direta ao projeto desenvolvido pelos pais ao longo de várias décadas.

A entrevistada considera que os filhos herdaram características do pai, como a capacidade de risco, a ambição e o gosto por desafios profissionais. Reconhece, contudo, que a existência da empresa familiar poderá ter reduzido a pressão para a prossecução de percursos académicos mais longos, dado que sempre dispuseram da possibilidade de integração no negócio. Ainda assim, manifesta orgulho no seu percurso, destacando a sua vontade de modernizar e desenvolver as empresas.

Desafios iniciais e consolidação da atividade empresarial

O casal recorda igualmente as dificuldades vividas na fase inicial da atividade empresarial, marcada pela escassez de recursos financeiros e pela necessidade de hipotecar a habitação para aquisição do primeiro compressor e da primeira máquina de perfuração.  Esta foi adquirida num ferro-velho, a qual se encontrava em estado bastante deteriorado. Relembram terem sido alvo de troça por parte da comunidade, que considerava impossível transformar aquela sucata numa máquina com potencial para perfuração. Contudo, Alberto Fonseca procedeu à sua modificação e recuperação, deixando-a com todas as condições necessárias para o início dos trabalhos de perfuração. Realçaram ainda que essa máquina gerou lucros que permitiram a aquisição de outras duas máquinas, tendo sido, por isso, o marco determinante para o sucesso da empresa.

Esse período é descrito como exigente, incerto e de elevado risco, mas também caracterizado por um forte espírito de união familiar, tendo sido construído de raiz através do esforço conjunto do casal.

Atualmente, os fundadores destacam como prioridade a consolidação da estabilidade e solidez financeira da empresa, de forma a assegurar a continuidade do projeto nas gerações seguintes. Apesar de reconhecerem a necessidade de modernização, optam por uma abordagem prudente, privilegiando a sustentabilidade do negócio.

No que diz respeito à organização interna, cada filho assumiu uma área distinta. Renato Fonseca integrou a Fonsecafuros, iniciando a sua atividade no terreno, com o objetivo de adquirir conhecimento técnico em todas as fases do processo de perfuração, de forma a assegurar capacidade de decisão e coordenação futura.

 

 

 

Diversificação do grupo: da perfuração à agricultura e à BioFonseca

Rafael Fonseca desenvolveu uma ligação mais direta à agricultura e à BioFonseca, tendo iniciado um processo de recuperação e expansão de terrenos em Salir do Porto, atualmente com cerca de 30 hectares de área agrícola. O projeto evoluiu de forma significativa, passando de uma intervenção inicial em terrenos degradados para uma exploração agrícola em crescimento.

A atividade da BioFonseca centra-se na produção agrícola e na exportação, tendo sido consolidada ao longo do tempo como uma vertente complementar do grupo empresarial. Paralelamente, a empresa reforçou também a área das bombas submersíveis, inicialmente associada aos trabalhos de perfuração, mas que evoluiu para um serviço autónomo de instalação, manutenção e assistência técnica, com uma carteira própria de clientes.

A trajetória empresarial da família Fonseca reflete um percurso assente na experiência prática, na capacidade de adaptação e numa forte cultura de trabalho. Desde as origens ligadas à agricultura e à captação de água subterrânea até à diversificação para novas áreas como a produção agrícola e os serviços técnicos especializados, o crescimento do grupo tem sido marcado por decisões estratégicas prudentes e sustentáveis. A transmissão geracional surge como um fator determinante para a continuidade do projeto, combinando o conhecimento acumulado com uma visão de modernização. Apesar dos desafios inerentes ao setor, nomeadamente ao nível da mão de obra e da rentabilidade agrícola, a família mantém uma abordagem resiliente, focada na consolidação e no desenvolvimento progressivo das suas atividades, garantindo assim a perenidade do negócio.

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