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WavEC impulsiona energias renováveis marinhas em Portugal

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Fundada em 2003 e liderada por Marco Alves, o WavEC dedica-se ao desenvolvimento de tecnologias offshore, promovendo a descarbonização da economia, reforçando a segurança do abastecimento energético e consolidando o posicionamento de Portugal na vanguarda da transição energética europeia.

O WavEC foi fundado em 2003, numa altura em que as energias renováveis marinhas ainda eram pouco exploradas. Como surgiu a ideia de criar a empresa e que necessidades ou oportunidades identificaram naquele momento?

O WavEC surgiu da perceção de que as energias renováveis offshore poderiam desempenhar um papel relevante na aceleração da transição energética, contribuindo para a descarbonização da economia e para o reforço da segurança e da independência energética. Embora, à data, estes desafios ainda não fossem amplamente percecionados como prioritários, vieram mais tarde a revelar-se críticos, como sabemos. Neste contexto, entendeu-se que as energias renováveis offshore representavam uma oportunidade para posicionar Portugal na vanguarda do desenvolvimento técnico-científico, e soluções de elevado valor acrescentado, contribuindo para o desenvolvimento de um setor com forte potencial para responder aos desafios identificados. Foi essa avaliação que esteve na base da criação do WavEC: a necessidade de constituir uma entidade capaz de desenvolver competências técnico-científicas e soluções de elevado valor acrescentado, contribuindo para o desenvolvimento de um setor com forte potencial para responder aos desafios identificados.

A empresa dedica-se ao desenvolvimento e implementação de energias renováveis marinhas. De que forma é que esse trabalho se traduz na prática e que impacto concreto tem no setor energético?

Na prática, o trabalho do WavEC traduz-se no apoio ao desenvolvimento de soluções tecnológicas, na produção de conhecimento para a indústria e para os decisores públicos e na identificação de abordagens que contribuam para reduzir o risco associado à implementação de projetos de energias renováveis marinhas, assumindo assim um papel direto na viabilização e aceleração do setor. Ao longo de quase 25 anos, este trabalho, desenvolvido em colaboração com entidades nacionais e europeias, foi determinante para a evolução de um setor que passou de embrionário a pré-comercial. Ao longo desse percurso, registaram-se avanços significativos na consolidação de conhecimento em domínios críticos, nomeadamente mecânica estrutural, materiais, aerodinâmica, hidrodinâmica de plataformas, controlo de turbinas, instalação, logística, operação e manutenção, bem como na avaliação de potenciais impactos ambientais. Se, numa fase inicial, o principal desafio era demonstrar a viabilidade técnica destas tecnologias, esse objetivo encontra-se hoje, em larga medida, alcançado. O desafio reside agora no desenvolvimento de uma cadeia de abastecimento robusta, capaz de reforçar a competitividade do setor e a sua expansão à escala comercial, à semelhança do que se verificou com o setor eólico onshore.

O impacto do desenvolvimento destas fontes renováveis no setor energético dependerá, em grande parte, da capacidade de mobilização da indústria nacional em torno deste objetivo. Com uma cadeia de abastecimento mais madura e competitiva, e com a concretização da meta do Plano Nacional de Energia e Clima (PNEC) de instalar 2 GW até 2030 (o que corresponde a 7-8 TWh/ano), a energia offshore poderá dar um contributo material para o mix energético nacional, reforçando a segurança de abastecimento e reduzindo a dependência de combustíveis fósseis. Esta transformação permitirá mitigar as emissões de CO₂ e criar milhares de postos de trabalho, estimando-se que cada GW instalado evite até 2,5 milhões de toneladas de CO₂ por ano e gere cerca de 10 mil empregos. Este impacto poderá tornar-se ainda mais expressivo se, como previsto, vierem a ser acrescentados mais 8 GW até 2040. Nesse cenário, a produção de energia offshore, articulada com uma maior capacidade de armazenamento e com uma rede mais interligada e resiliente, assumirá um papel estrutural no sistema energético, valorizando recursos endógenos e contribuindo simultaneamente para a descarbonização da economia e o posicionamento de Portugal no contexto da transição energética europeia.
Portugal é atualmente um dos líderes europeus nas energias renováveis, com forte aposta na hídrica, eólica e solar. Que papel podem, ou devem, desempenhar as energias marinhas neste posicionamento do país?

Dado tratar-se de uma indústria ainda emergente, as energias marinhas constituem uma oportunidade estratégica para posicionar empresas nacionais na cadeia de valor, ainda aberta à afirmação de novos atores. À medida que o setor amadurecer e a sua estrutura se consolidar, esse posicionamento tornar-se-á substancialmente mais difícil. Nesta perspetiva, importa não adiar excessivamente a aposta neste domínio, sob pena de Portugal ficar à margem desse desenvolvimento e de comprometer o conhecimento acumulado e a posição estratégica alcançada nos últimos anos. Uma aposta atempada e consistente no reforço da produção renovável, em que as energias marinhas poderão assumir um papel fundamental, dada a disponibilidade do recurso, articulada com soluções de armazenamento, será decisiva para cimentar o posicionamento do país na produção de eletricidade a partir de fontes renováveis. Na articulação entre produção e armazenamento, para além do desenvolvimento de baterias químicas, importa salientar o papel das centrais hidroelétricas reversíveis, capazes de assegurar armazenamento por períodos prolongados. Trata-se de um domínio em que Portugal se tem destacado, tanto pela capacidade instalada como pela qualidade da sua operação, podendo aí consolidar uma posição de referência.

Esta trajetória de reforço da produção renovável como vetor estratégico da transição e da autonomia energética, no qual várias empresas nacionais se têm vindo a afirmar, deve ser entendida não apenas à escala nacional, mas sobretudo no contexto europeu. Neste sentido, o reforço das interligações entre Espanha e o resto da Europa deveria ser tratado como uma prioridade estrutural, e não como uma resposta conjuntural. Apesar de estar em discussão há vários anos, e não obstante os investimentos em curso na modernização das redes elétricas europeias, o reforço da capacidade de interligação transfronteiriça tem avançado de forma limitada, em particular devido às reservas de França. Esta limitação compromete uma maior integração de energias renováveis e benefícios fundamentais, como o reforço da segurança energética, a redução da dependência de combustíveis fósseis e o acesso a energia a preços mais competitivos.

Em última análise, o posicionamento de Portugal deve ser entendido neste quadro de maior interligação e reforço da eficiência e resiliência da rede elétrica. Neste cenário, Portugal, em articulação com Espanha, reúne condições particularmente favoráveis para desenvolver o setor das energias marinhas, cujo contributo para uma produção de eletricidade mais competitiva tenderá a aumentar à medida que for ganhando maturidade. Paralelamente, o país poderá reforçar também a sua atratividade para a instalação de indústrias eletrointensivas e afirmar-se como fornecedor relevante de energia renovável para a Europa, num contexto de crescente eletrificação das economias.

No futuro, quais são os principais desafios e oportunidades para a WavEC no contexto da transição energética e do crescimento da economia azul?

Os principais desafios para o WavEC consistem na procura de soluções que reforcem a competitividade das tecnologias, seja pela melhoria do desempenho, seja pela redução de custos, com base numa abordagem holística que articula competências nas áreas da economia, da engenharia e do ambiente. Em simultâneo, o WavEC pretende também dar resposta a desafios associados à promoção do setor, à criação de uma cadeia de abastecimento robusta e à aceleração da integração das energias renováveis marinhas no sistema energético, garantindo ao mesmo tempo a compatibilização com o meio marinho e com os restantes usos do espaço oceânico, numa lógica de maior valorização socioeconómica. Neste contexto de afirmação da economia azul e de reforço do papel do oceano na transição energética, emergem oportunidades relevantes, sobretudo associadas ao crescimento da energia eólica offshore flutuante. Estas oportunidades abrangem a otimização da logística, da instalação e da operação e manutenção de equipamentos offshore, bem como a articulação de parques de energias marinhas com outros setores da economia azul, favorecendo sinergias, uma melhor coexistência de usos e a redução de custos. É nestes domínios que o WavEC procura consolidar a sua posição como entidade de referência na interface entre ciência, indústria e políticas públicas, tanto a nível nacional como europeu.

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