Com mais de um século de atividade, a Caixa Agrícola dos Açores afirma-se como um dos principais pilares do desenvolvimento económico regional. Em entrevista, o Presidente António Gomes de Sousa destaca o papel da instituição no apoio ao tecido empresarial, na valorização da produção local e na construção de um modelo que alia proximidade, solidez e inovação.
De que forma a CCAM dos Açores tem contribuído, ao longo do tempo, para o fortalecimento da economia regional e para a valorização do tecido empresarial açoriano?
A Caixa Agrícola dos Açores tem uma longa história bancária na região, com 104 anos de percurso, a apoiar e a financiar os Açores. Se tivermos em conta que a esperança média de vida de uma empresa em Portugal é de, aproximadamente, 13 anos, logo concluímos que esta Instituição de Crédito, com mais de um século de história, teve e tem uma função central no desenvolvimento dos Açores.
A evolução tecnológica, o conhecimento científico e o crescimento económico, registados no último século, foi de longe muito superior ao que terá ocorrido nos últimos 2000 anos. Este último século, repleto de inovações em todos os capítulos da atividade humana, exigiu ao tecido empresarial, aos governantes e a todos em geral, um extraordinário esforço de renovação, adaptação, investimento e modernização.
A banca, a partir dos anos 80/90 do século passado, apoiada pelas novas tecnologias, pela informatização das rotinas de trabalho, pelas reprivatizações e pela mudança dos hábitos de consumo, encetou um processo de mudança profundo dos modelos de trabalho e da abordagem comercial, com um investimento massivo em soluções e canais digitais, reduzindo significativamente o número de agências e de postos de trabalho.
A Caixa, desde logo, seguiu este modelo transformacionista e, com os investimentos adequados, acompanhou o processo, dispondo hoje de uma plataforma tecnológica, canais digitais, produtos bancários e meios de cibersegurança, ao melhor nível do mercado.

Que papel assume a CCAM dos Açores na preservação da identidade regional, enquanto instituição profundamente ligada ao território e às suas comunidades?
Falar da história da Caixa Agrícola dos Açores, é falar da forma como a Região investiu e foi financiada no último século.
A Caixa, com sede na cidade de Ponta Delgada, com uma rede comercial de 18 balcões, 62 ATMs e com a totalidade do capital social subscrita por sócios locais e pela própria Caixa, foi um pilar fundamental no desenvolvimento da economia regional.
Com rácios de solvabilidade e de liquidez com larga margem operacional, a Caixa nunca vacilou e foi mesmo, na crise do subprime e noutras que acometeram a banca, a Instituição de Crédito que permaneceu incólume e à margem das medidas de austeridade impostas, mantendo toda atividade financiadora, tendo sido, até, a Instituição Bancária de refúgio para muitos investidores.
Após a segunda guerra mundial, estivemos presentes no apoio financeiro à transição do modelo ancestral da agricultura de subsistência e de baixa escolaridade, que vigorava nos Açores e em todo o país, para a agricultura mecanizada, informatizada e informada, que hoje revela excelentes resultados ao nível da produção e da qualidade.
Produtos, como a carne, o leite, o queijo, o ananás, os méis, entre outros, vêm a procura a exceder a oferta, para o qual muito contribuiu o investimento dos produtores e dos industriais, apostando na construção de novas unidades fabris, com capacidade para satisfazer os elevados padrões europeus de higiene e qualidade.
É importante destacar que os Açores produzem 1/3 do leite e do queijo nacional, com uma área territorial de apenas 2,6% da área continental, o que é demonstrativo da elevada eficiência produtiva dos empresários da Região.
Mais, a Caixa Agrícola acompanhou todo o processo de implantação da autonomia política e administrativa dos Açores, iniciado em 1976, e que fez aportar à Região um nível de desenvolvimento nunca experimentado, com o arranque de projetos transformadores da sociedade, como a fundação da Universidade dos Açores, a construção de novas infraestruturas escolares, de novas vias rodoviárias, de aeroportos, de portos, de novas frotas de pesca, entre muitos outros investimentos.
Outro processo com grande impacto nos Açores, foi a adesão de Portugal à CEE, que transpôs para a Região um volume de investimentos significativo, com impacto em muitas áreas económicas, no qual a Caixa Agrícola foi um agente liderante, enquanto entidade financiadora.
Ainda nas últimas 3 décadas, estivemos ligados à concessão do crédito à habitação para particulares, o que impulsionou a acessibilidade à habitação, especialmente para os mais jovens.
Já na última década, arrancou definitivamente a indústria do turismo, que tem incrementado uma quantidade de negócios correlacionados, já com um peso de 17% no PIB da Região. Investidores em novas unidades hoteleiras, em alojamento local, em restauração, em rent-a-car, etc., tem encontrado na Caixa o parceiro financiador certo para os seus investimentos.
Podemos assim concluir que a nossa identidade, o nosso ADN, foi construído quase em decalque com todo o processo de transformação, crescimento e consolidação do tecido económico dos Açores.
Num arquipélago em que a autenticidade é um ativo estratégico, como é que a CCAM dos Açores se distingue na promoção da excelência açoriana?
Essa é uma questão central que está sempre presente nas nossas preocupações e tomadas de decisão e é igualmente partilhada pelas autoridades governamentais da Região, pelo tecido empresarial e também pela própria CEE, com a emissão de políticas e incentivos que visam a proteção dos produtos locais.
Vejamos, os Açores são a imagem da natureza. Possuem um conjunto de condições edafoclimáticas resultantes da conjugação de solos vulcânicos, de brisas marítimas e de um clima subtropical, que conferem características únicas ao sabor e ao paladar dos alimentos, classificados pela generalidade dos consumidores como excelentes.
É evidente que todos os intervenientes na cadeia produtiva têm de saber proteger esta singularidade, esta riqueza, que distingue o produto e define a preferência e a confiança do consumidor.
A indústria e os produtores locais promovem regularmente investimentos para a modernização das linhas de produção, mas relevam sempre um cuidado especial na proteção das características e na manutenção da genuinidade dos produtos finais. Aliás, quando somos chamados a financiar os projetos, incorporamos no nosso modelo de análise de risco uma rúbrica que contempla a qualidade, a sustentabilidade e o impacto ambiental dos investimentos a realizar.
Somos ainda um parceiro regular das organizações regionais que promovem eventos que visam a divulgação dos produtos locais junto do consumidor, facilitando o conhecimento sobre qualidade, valor nutricional e caraterísticas sensoriais dos alimentos.
Queremos, e todos os que estão envolvidos na cadeia produtiva, que a autenticidade dos nossos produtos seja considerada um fator competitivo diferenciado, contribuindo para o desenvolvimento económico e para a sustentabilidade do arquipélago.
Quais têm sido as principais prioridades da CCAM dos Açores na modernização dos serviços, sem perder a proximidade que caracteriza o modelo cooperativo?
Os deveres e as obrigações a cumprir por uma Instituição Bancária cooperativa são, na generalidade, idênticos aos demais modelos societários que vigoram na banca, no caso, as sociedades anónimas e as sociedades mutualistas.
Todavia, a Caixa Agricola dos Açores, para lá do cumprimento integral da base regulatória a que está obrigada, tem no topo das suas prioridades dispor de um leque de produtos financeiros de última geração, linhas de crédito adequadas a todos os modelos de investimento, precificação que marque a diferença para os demais operadores, manter um elevado nível de cibersegurança, continuar o rejuvenescimento e formação dos recursos humanos e manter a politica comercial de transparência e honestidade, que sempre tem caracterizado a nossa atividade, para continuarmos a contar com a confiança dos clientes e das autoridades de supervisão.
Como é que a CCAM dos Açores equilibra a tradição da banca de proximidade com as exigências de inovação, competitividade e transformação digital?
Essas são de fato duas importantes componentes que integram a nossa estratégia comercial, sabendo, desde logo, que a transformação tecnológica mudou definitivamente a relação com os clientes.
A banca de proximidade é uma filosofia de relacionamento comercial, agora conjugada com a presença nos canais digitais, que nós continuamos a manter ativa, pois consideramos essencial nos negócios a relação humana e o aconselhamento personalizado. Esta política diferenciadora tem demonstrado muito bons resultados, refletindo-se num aumento da base de clientes e do volume de negócios.
Por opção própria e ganho de escala, a Caixa Agrícola dos Açores integra o Grupo Financeiro português designado por “Crédito Agrícola”, que inclui mais 66 Caixas Agrícolas, a Caixa Central, duas Companhias de Seguros, várias empresas fornecedoras de serviços e um banco exclusivamente digital, chamado Moey!, este, com um vasto leque de serviços bancários, totalmente gratuito.
O Grupo assegura a gestão da plataforma informática que suporta a rede e os canais digitais CA Online e CA Mobile, com um serviço completo de banca.
A inclusão neste Grupo Financeiro possibilita, ainda, a cada uma das Caixas, um poder de financiamento que, individualmente, cada uma, per si, não conseguiria atingir.
Que mensagem considera mais importante transmitir sobre o contributo da CCAM dos Açores para projetar os Açores como uma região de qualidade, confiança e ambição?
Hoje, partimos do princípio que o ser humano quer soluções que lhe proporcionem reconhecimento, valorização, energia, conforto e prazer, para lá de uma adequada remuneração laboral. Por sua vez, os empresários estão apostados em reunir as melhores ideias para investir em novos e melhores negócios, sabendo que tem de estar preparados para a mudança, porque o ciclo de vida de qualquer produto lançado no mercado, tornou-se efémero.
É nesta espiral de mudança que temos de trabalhar, apresentando soluções financeiras adequadas, versáteis e concorrentes, com o objetivo de apoiar uma elite de empresários criadores de riqueza e de postos de trabalho.
Para isso, trabalhamos afincadamente para o aumento de um instrumento financeiro essencial no nosso balanço, os capitais próprios da Caixa, que são o suporte de toda a atividade bancária.
A quase totalidade dos resultados líquidos apurados anualmente são transitados para capitais próprios, ao invés da banca comercial que parcialmente os entrega aos acionistas. Esta singularidade de procedimento, aumenta a dimensão da Caixa e a capacidade de financiar a economia da Região Autónoma dos Açores.
Também estamos atentos à área filantrópica, com apoios financeiros a projetos oriundos das iniciativas privadas e que promovam a saúde, a educação, o bem-estar, a cultura, o desporto, a integração social, entre outros aspetos.
É nossa convicção que quanto mais incentivamos o desenvolvimento local e regional, mais universais nos tornamos.
Finalizo agradecendo, reconhecidamente, ao corpo redatorial da revista BUSINESS – Portugal o convite que nos endossou e a oportunidade que nos deu para apresentar o trabalho que está a ser desenvolvido por esta Instituição de Crédito, em prol do desenvolvimento da Região Autónoma dos Açores.








