Promover a igualdade na diferença

A APACI – Associação de Pais e Amigos das Crianças Inadaptadas – fundada em 1978, em Barcelos, é uma instituição que tem por objetivo o desenvolvimento intelectual, motor e social das pessoas com deficiência, com vista à sua inclusão na sociedade. A comprovar este trabalho valoroso estão as nove respostas sociais da instituição, que assumem a missão de apoiar e melhorar a qualidade de vida das pessoas com incapacidades e as suas famílias, como nos contam Maria Eduarda Rego e Diana Fernandes, respetivamente, Presidente da Direção e Diretora de Serviços. 

 

De acordo com Maria Eduarda Rego, a APACI foi a primeira instituição a ser fundada no concelho de Barcelos após o 25 de abril, mais concretamente há 43 anos, numa altura em que era necessário intervir junto de crianças e jovens que não frequentavam o ensino regular. Neste contexto, surgiu a ideia de criar uma “escola especial”, com o desiderato de funcionar lado a lado com a escola de ensino regular, designadamente as classes de apoio, com o intuito de auxiliar as crianças e jovens com dificuldades de aprendizagem, promovendo a sua integração e facilitando o processo de aprendizagem. A Presidente, acrescenta que foi um início difícil, mas brilhante, “uma vez que nos deu oportunidade de ajudar a voar tantas crianças e jovens”.

Ao longo dos tempos, surgiram um conjunto de transformações e novos desafios foram sendo traçados para suporte da pessoas com deficiência e, por isso, a APACI investiu na criação de valências diversificadas de acordo com as necessidades desta população.

 

Respostas Sociais: um universo de apoio e inclusão

Atualmente, a APACI oferece nove respostas sociais, com o intuito de apoiar e melhorar a qualidade de vida das pessoas com incapacidades e suas famílias. Diana Fernandes sublinha que na APACI o leque de pessoas apoiadas é vasto, abarcando desde crianças e jovens acometidos por algum tipo de deficiência, incapacidade, até pessoas idosas que veem as suas capacidades diminuídas pelo processo de envelhecimento. Todas estas situações e necessidades podem ser, de forma temporária ou permanente, assim como os respetivos apoios. Em suma, a APACI dispõe de respostas para todas as fases de vida, desde os 0 anos e sem limite de idade.

Assim sendo, dos 0 aos 6 anos, há a Intervenção Precoce na Infância (IPI), um serviço de apoio centrado na criança e na família, que desenvolve ações de natureza preventiva e reabilitativa. A IPI acompanha crianças com atrasos de desenvolvimento, sendo constituída por profissionais das áreas de Pediatria, Enfermagem, Terapia da Fala, Terapia Ocupacional, Fisioterapia, Psicologia, Serviço Social e Educação de Infância, que avalia, apoia e implementa, em conjunto com as famílias, estratégias que promovam o desenvolvimento da criança. Dos 6 aos 18 anos, a instituição dispõe de serviços que apoiam as crianças e jovens em idade escolar com necessidades educativas, sendo eles o Centro de Ensino Especial (CEE) e o Centro de Recursos para a Inclusão (CRI). O CEE embora tenho sido a primeira valência da APACI, contribuindo na aquisição de competências e aprendizagens destes alunos, atualmente com a evolução da escola inclusiva, o número de inscritos neste serviço tem vindo a diminuir. Por sua vez, o CRI presta apoios na área do diagnóstico e terapêutica aos alunos no contexto escolar. O Centro de Formação Profissional (CFP) da APACI surge para proporcionar formação a jovens com deficiência, com idade igual ou superior a 18 anos, de modo a potenciar ao máximo as suas oportunidades de integração sócio profissional. Em colaboração com o CFP, existe o Centro de Recursos Local que articula com as entidades empregadoras do município de Barcelos e Esposende a possibilidade de integração das pessoas com deficiência no mercado de trabalho, tendo conseguido, desde 2018, a colocação de 70 pessoas.

A APACI dispõe também de dois Centros de Atividades e Capacitação para a Inclusão (CACI’s), destinados a pessoas com deficiência a partir dos 16 anos, cujas capacidades não lhes permitiram o exercício de uma atividade laboral. No CACI são desenvolvidas atividades ocupacionais, terapêuticas, artísticas como pintura, música e teatro, e atividades socialmente úteis, através de protocolos com empresas do concelho. O CACI preconiza um modelo de base comunitária, com vista à valorização, desenvolvimento e inclusão dos seus clientes.

O Lar Residencial da APACI surgiu das necessidades sentidas pelas famílias já envelhecidas, a nível concelhio, para prestação de serviços contínuos aos seus familiares com deficiência. No Lar procura-se que a institucionalização não seja sinónimo de perda de identidade e de participação, mas que seja proporcionado um ambiente familiar, no qual se respeitam desejos, diferenças, decisões, um lar em que os clientes se sintam acolhidos e felizes.

Principalmente direcionado às pessoas idosas, existe o Serviço de Apoio Domiciliário, para prestação de cuidados, ao domicílio, a pessoas que se encontrem em situação de dependência e necessitam da ajuda de terceiros para a satisfação das suas necessidades básicas e a realização das atividades da vida diária.

 

 

Fazer face aos desafios e corresponder às expectativas

As dificuldades financeiras têm sido o principal desafio das instituições que promovem o apoio social e a APACI não é exceção, como destaca Maria Eduarda Rego, lembrando que a instituição conta com 90 colaboradores e um universo de 432 clientes distribuídos pelas diferentes respostas sociais. “Esta é uma casa que vive essencialmente de subsídios do Estado Português que são atribuídos de acordo com o número de clientes apoiados”.

À APACI compete-lhe a inteira responsabilidade de gerir e manter todos os recursos materiais e não materiais integrados nas suas valências. Temos vários encargos, nomeadamente, recursos humanos, materiais consumíveis, manutenção e reparação dos 4 edifícios, frota automóvel composta por 9 viaturas e toda a logística. Somos uma associação que procura, cada vez mais, estar inserida na comunidade, com o desiderato de fazer face às despesas e corresponder às expectativas, destaca Diana Fernandes.

Sempre a pensar no futuro e no bem-estar dos seus clientes, a APACI estabeleceu diversos protocolos, concretamente, com o Município de Barcelos para levar espetáculos de música e teatro às escolas, integrou um projeto de dança contemporânea em parceria com outra associação, participa frequentemente em candidaturas do Instituto Nacional de Reabilitação para promoção de projetos de desenvolvimento de competências e de inclusão na comunidade, venceu também um prémio do BPI Capacitar que possibilitou a criação de uma Engomadoria, assim como desenvolve parcerias com empresas para criação e distribuição dos produtos artesanais concebidos no âmbito das suas oficinas. A APACI tem ainda certificado de qualidade da EQUASS Assurance.

Segundo Maria Eduarda Rego e Diana Fernandes, o trabalho desenvolvido pela instituição é muito abrangente, mas ainda há muito caminho a trilhar.

A finalizar, deixam uma pequena mensagem, “ser diferente não é uma condição inferior, uma pessoa tem direito a ser diferente, até porque todos temos as nossas singularidades”, ressalvando que o sucesso do trabalho desenvolvido pela instituição reflete-se na afirmação, autodeterminação e inclusão das pessoas com deficiência.

 

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