Projetando o futuro das empresas

António Saraiva, Presidente

As crises são sempre oportunidade de renovação.
Durante esta crise, testemunhámos já como a flexibilidade e capacidade de adaptação de muitas empresas foram trunfos para se transfigurarem e reconverterem a sua produção ou adotarem novas formas de chegarem aos mercados. Rapidamente, de uma situação de dependência externa de bens indispensáveis no quadro da crise sanitária, passámos a exportadores de alguns desses bens.


O mundo, a economia, a sociedade não serão os mesmos após a experiência, traumática, mas rica em ensinamentos, por que estamos a passar. Estamos numa fase de mudança acelerada, de aprendizagens forçadas, de abertura a novas formas de comunicação e de trabalho, de quebra de paradigmas.

A transformação tecnológica e digital ganhará uma nova dimensão. Haverá uma nova perceção e interiorização de riscos de excessivas dependências de determinados mercados ou de um número reduzido de fornecedores. Estas mudanças trarão oportunidades.


Flexibilidade e adaptabilidade serão, uma vez mais, os trunfos para as empresas se reposicionarem, aproveitarem estas oportunidades e ocuparem o espaço deixado nos mercados, doméstico e internacional, por aquelas que se retraíram ou não sobreviveram.


Destacaria a transformação tecnológica e digital como uma oportunidade ímpar para que as empresas nacionais otimizem os seus processos, reduzam custos, aumentem as receitas e, principalmente, para que ganhem competitividade nos mercados globais.


Para que esta oportunidade seja, de facto, aproveitada, importa:
• relançar o investimento empresarial, indispensável à incorporação de inovação tecnológica nos produtos e nos processos;
• que as empresas se dotem de recursos humanos com as competências necessárias para se modernizarem e para permitir que essa transformação tecnológica e digital impulsione um salto significativo na sua produtividade:
• promover um ambiente de negócios favorável à inovação e que permita às empresas concentrarem os seus recursos na criação de valor.

Consequentemente, as linhas orientadoras para uma estratégia de desenvolvimento e competitividade devem passar por medidas específicas dirigidas à capitalização das empresas; por um sistema fiscal mais favorável ao investimento, tornando-o mais competitivo, mais previsível e simples; pela redução dos custos de contexto, começando por travar o contínuo surgimento de novas obrigações legais que implicam mais encargos para as empresas.

E se, num “novo normal” ainda em aberto, flexibilidade e adaptabilidade são, de facto, vantagens competitivas cada vez mais relevantes nos mercados mundiais, o enquadramento sócio laboral deverá adequar-se, tornando-se mais favorável a estes trunfos das empresas portuguesas.

 

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