A Inédito e Medieval Arqueologia destaca-se pelo compromisso em preservar e divulgar o património histórico e cultural, combinando rigor científico com inovação, como nos conta o Arqueólogo João André, responsável pela empresa.

Qual a importância de integrar arqueólogos em projetos de construção e desenvolvimento, especialmente em regiões historicamente ricas como Coimbra?
A importância é fulcral, o património é um bem de todos, mas que pode ser finito com consequências que poderão levar a que vá desaparecendo ao longo dos tempos, se não forem tomadas medidas de acautelamento e de proteção.
Seja, o ritmo da construção e remodelação civil a modernização das cidades, vilas, aldeias portuguesas e a crescente alteração das paisagens urbanas e rurais, são algumas das ameaças ao património arquitetónico/arqueológico.
Ora, a inclusão de arqueólogos em projetos do setor imobiliário e da construção é de grande importância quer seja em Coimbra ou noutra região do nosso território. No caso da Cidade de Coimbra a exigência torna-se maior, pois a cidade é quase no seu todo uma estação arqueológica de grande importância.
A nossa função enquanto arqueólogos torna-nos na prática em agentes de salvaguarda, a tempo certo, no registo da evidência, registo e interpretação de qualquer vestígio do nosso passado, em que se não fosse o nosso contributo ficaria inédito, destruído, e perdido para sempre com o conhecimento que de ele se pudesse retirar.
Como funciona o acompanhamento arqueológico das obras?
Hoje é muito difícil dissociar-se a prática da arqueologia com a construção civil quer seja, na construção de estradas, pontes, edifícios, quer seja em projetos de reabilitação urbana/rural.
Neste sentido a presença de trabalhos arqueológicos em áreas tão diversas como as políticas de gestão do ambiente, do ordenamento do território ou da reabilitação urbana têm um conjunto de normas ao abrigo da LEI, que garante o cumprimento de procedimentos e preceitos técnicos a observar-se na realização de trabalhos arqueológicos.
Sendo que, projetos de construção civil poderão estar condicionados à realização de trabalhos arqueológicos, quando realizados em Zonas Especiais de Proteção (ZEP), e áreas definidas pelo Plano de Diretor Municipal (entre outros) em que a intervenção arqueológica no geral poderá ocorrer aquando o início de um projeto, através da realização de escavação arqueológica, prospeção, acompanhamento arqueológico, no sentido de se mitigar ou minimizar qualquer impacto sobre o património.
Para o efeito, o arqueólogo e restantes intervenientes (promotores, engenheiros, arquitetos, etc.) de determinado projeto terão de respeitar as normas explanadas no RTA (Regulamento dos Trabalhos Arqueológicos DL n. 164/2014, de 04 de novembro).
No caso dos trabalhos de acompanhamento arqueológico, a presença de um arqueólogo em campo leva à execução de uma série de medidas sendo exemplo, o acompanhamento dos revolvimentos de terras e ações com incidência no subsolo e parietais (no caso de edifícios), recolhendo os materiais, amostras e registando as várias sucessões estratigráficas associadas ou não, a estruturas ou vestígios de interesse arqueológico.
É perante esta realidade de factos de vestígios materiais ou estruturais que leva ao trabalho de registo científico (evidenciar, limpar, definir, escavar, analisar, catalogar, etc.), sempre com a obrigação Legal de comunicação imediata à Tutela dos trabalhos arqueológicos Instituto do Património Cultural I.P., para se aplicarem medidas de minimização ou de conservação do(s) achado(s) consoante o seu grau de importância.
Qual é o impacto do trabalho arqueológico na valorização das comunidades locais e do turismo cultural? Como é que a empresa equilibra as exigências dos clientes com a responsabilidade de proteger o património cultural?
O impacte é maior do que se tradicionalmente se pensa e conhece pela sociedade.
Os arqueólogos são parte de intermediários e promotores entre o património e os locais (ainda dos funcionários das obras). Tentamos em cada obra conseguir um equilíbrio, procurar sempre a melhor solução concreta, adaptada a cada necessidade e circunstância que possa surgir.
No caso da presença de uma equipa de arqueologia num determinado projeto de construção, tenta-se explicar aos vários intervenientes executantes que a presença de um arqueólogo é o de salvaguardar, minimizar, registar o impacto físico sobre possível (determinado) património, tentando-se preservar o mesmo, o quanto possível.
No entanto, a nossa ação não é fácil, os arqueólogos para executarem os trabalhos em um projeto têm de estar autorizados pela Tutela, e ao abrigo da LEI a respeitar as normas vigentes do RTA. O que por vezes pode originar conflito de interesses entre uma equipa de arqueologia e de um promotor de um projeto de construção civil.
No entanto, ao longo dos tempos têm-se verificado uma grande evolução da parte das entidades executantes. No geral, estes Já não vêm o arqueólogo como “um bicho-de-sete-cabeças, que lhes vai parar a obra por tempo indeterminado, para efetuar as suas investigações”.
No geral, o nosso cliente já é conhecedor dos procedimentos prévios aquando o arranque de um projeto no que concerne à arqueologia sabendo de ante mão, que a nossa empresa tenta sempre ser uma solução perante as várias vicissitudes que se apresentam no projeto.
No caso de um cliente que nunca trabalhou ou teve a condicionante da exigência de uma equipa de arqueologia no seu projeto, a nossa empresa tenta orientar e auxiliar da melhor forma e dar o melhor esclarecimento no sentido, de que se consegue levar a cabo determinado projeto respeitando-se sempre, o património arqueológico.
Como é que a empresa vê a evolução tecnológica no setor da arqueologia? Existem novas ferramentas ou metodologias que pretendem adotar no futuro?
Como um desafio constante, e uma oportunidade. Hoje há ferramentas no mercado que se podem adaptar à execução de trabalhos arqueológicos e que já adaptámos no dia a dia da nossa empresa, através da arqueologia computacional como o SIG, fotogrametria, Drones, etc.
As ferramentas digitais e a crescente facilidade no seu manuseio motiva a sua crescente incorporação nas metodologias de trabalho arqueológico. Estamos no século XXI, e como em todas as outras áreas, a arqueologia não é exceção, também se vai modernizando através de aplicação e uso de ferramentas digitais para a execução de trabalhos quer sejam de laboratório ou de campo, sendo que a sua boa adaptação é sempre uma mais-valia na obtenção de resultados com incidência num único propósito, a obtenção do conhecimento.







