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Nidus Eco: O futuro da construção

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A Nidus Eco é a evolução natural da Get to Work, agora com foco na construção ecológica e inclusiva. Nídia Teodoro Avelino, Fundadora e CEO, explica por que o Light Steel Framing é o futuro e como construir espaços sustentáveis para pessoas reais.

A construção sustentável deixou de ser apenas uma tendência e tornou-se uma necessidade para o futuro do setor. Na Nidus Eco, que princípios orientam a escolha de soluções, materiais e métodos construtivos mais responsáveis e que impacto procuram gerar na redução da pegada ambiental dos projetos?

A Nidus Eco é a continuação natural da Get to Work. Desde sempre foi para nós uma preocupação optar por soluções mais ecológicas, porque temos uma ligação à natureza e queremos deixar um mundo melhor para os que vêm depois. A Nidus Eco surgiu precisamente para afirmar esta forma de trabalhar, com respeito pelo meio ambiente e pelas pessoas. Para nós, sustentabilidade não é uma moda. É a única forma de viver e de trabalhar.

É a partir desta convicção que assentamos a nossa construção no sistema Light Steel Framing (LSF). Sempre que é possível, recorremos a fornecedores próximos e locais, porque ajudar a comunidade e os nossos parceiros também é sustentabilidade para nós.

Na prática, traduz-se em escolhas concretas. Tintas à base de água em vez de solventes agressivos. Isolamentos naturais, como a cortiça, sempre que fazem sentido. Obras bem planeadas antes de serem executadas, o que reduz muito o desperdício. E o desperdício de obra é encaminhado corretamente para reciclagem e tratamento. O objetivo é o mesmo. Uma casa sustentável para o planeta tem de ser também uma casa sustentável para quem lá vive. Sem isso, não estamos a fazer o trabalho todo.

 

Nídia Teodoro Avelino, Fundadora e CEO

 

 

A construção em LSF assume um papel importante na atividade da Nidus Eco. Que vantagens apresenta este sistema quando analisado à luz da sustentabilidade, nomeadamente ao nível da eficiência, da gestão de recursos, dos resíduos e do desempenho dos edifícios ao longo do seu ciclo de vida?

Para nós, o LSF (Light Steel Framing) é o futuro da construção. Ainda é pouco compreendido e pouco utilizado em Portugal.

As mais-valias são claras. Durabilidade, desde que a obra seja bem executada, rapidez de construção e eficiência energética muito superior à da construção tradicional. Não digo que seja o melhor sistema construtivo, mas para nós é a melhor escolha.

Onde mais pesa a diferença é ser uma construção a seco e planeada. Muitas vezes leva mais tempo a planear do que a montar, e é isso que faz toda a diferença. Não há desperdícios significativos, não há derrapagens orçamentais nem de prazo. Os elementos estruturais são fabricados em ambiente controlado e chegam à obra prontos a montar, o que nos dá mais rapidez e assertividade. O aço que sobra é 100% reciclável, e as fundações, sendo mais leves, têm menor impacto no solo. Se a estrutura for adaptada ou desconstruída, o aço volta para reciclagem, algo raro no betão.

Há uma vantagem que pesa muito para nós enquanto empresa. O sistema exige menos mão de obra do que a construção tradicional. Na situação atual do mercado, em que encontrar equipas qualificadas é cada vez mais difícil, isto é uma mais-valia. Também isto é sustentabilidade, aplicada à própria vida da empresa. É construção que respeita o presente e o futuro do edifício, e do planeta.

Falar de sustentabilidade implica também falar das pessoas que vão habitar e utilizar os espaços. Como é que a empresa procura integrar princípios de inclusão, acessibilidade e conforto nos seus projetos, criando ambientes verdadeiramente adaptados às diferentes necessidades?

Há uma frase que repito com frequência: construímos espaços sustentáveis para pessoas reais, não para pessoas-tipo dos manuais. Esta ideia orienta a forma como pensamos cada projeto.

Acessibilidade, para nós, não é uma rampa à porta para cumprir a lei. É pensar as circulações interiores para corpos diferentes e para várias etapas de uma vida. É perceber que a criança de hoje será adulto amanhã e idoso depois, e que a mesma casa deve servir todas essas fases se for bem desenhada. É considerar quem usa cadeira de rodas, mas também quem tem mobilidade reduzida temporária, quem transporta um carrinho, quem carrega compras.

Inclui também o que menos se fala, o conforto sensorial. Luz natural na direção certa, qualidade acústica, materiais que não esgotam o sistema nervoso de quem passa dez ou doze horas por dia num espaço. Importa para toda a gente, e importa especialmente para pessoas neurodivergentes, para quem estas escolhas são a diferença entre habitar bem ou viver em sofrimento silencioso.

O conforto verdadeiro é o que se sente sem se notar. É ter um espaço que nos ajuda a recuperar em vez de nos esgotar.

 

 

A Nidus Eco tem vindo a associar a construção sustentável a uma visão mais abrangente de sustentabilidade humana. Como se concretiza esta abordagem na prática e de que forma acredita que os espaços onde vivemos e trabalhamos podem influenciar o bem-estar, a produtividade e a qualidade de vida das pessoas?

Sustentabilidade humana é talvez o que mais nos distingue. Acreditamos que podemos ter edifícios muito eficientes do ponto de vista energético e ambiental, mas serem locais que esgotam pessoas. E quantos de nós no nosso local de trabalho não nos sentimos já esgotados sem saber explicar porquê? Com a visão correta, podemos ter espaços simples, sem grande sofisticação técnica, mas que nos restauram.

O que fazemos na prática é escutar o cliente. O que ele diz, mas também o que não diz e vemos que precisa, pela experiência que temos. Respeitamos os ciclos da natureza e criamos espaços que aproveitam esses ciclos para gerar sustentabilidade humana. Damos atenção à luz, à sombra, aos sons, ao ar, tudo desenhado para reduzir o stress, melhorar o sono, favorecer a concentração e o bem-estar. Um escritório com boa iluminação natural aumenta a produtividade, e uma casa com boa acústica melhora as relações pessoais e familiares.

Acreditamos que está na altura de a arquitetura e a construção assumirem uma responsabilidade da qual ainda há pouca consciência: contribuir ativamente para a saúde física e mental de quem habita os espaços. Por isso dizemos: “Construímos espaços sustentáveis para quem os habita.”

Do ponto de vista da inovação, do mercado e da consciencialização dos consumidores, quais considera serem os principais desafios que a construção sustentável enfrenta em Portugal e que passos considera fundamentais para acelerar a sua consolidação e afirmação no setor?

O maior obstáculo, além do cultural, é a falta de informação e formação. O setor é conservador. Continuam a sair das universidades engenheiros formados apenas para a construção tradicional, e a sustentabilidade é ainda vista como custo ou moda. Temos de ver a construção ecológica como retorno claro na fatura energética, na durabilidade e na saúde de quem habita.

Temos três mudanças principais a fazer.

A primeira é pôr a informação correta nas mãos do cliente final. Temos de explicar o que estão a comprar, com informação técnica sobre desempenho e ciclo de vida. Enquanto a decisão for feita apenas sobre o preço inicial, a construção sustentável continuará a parecer cara. Quando se calcula o custo total de propriedade, é quase sempre mais barata.

A segunda é a formação. Faltam profissionais com competência real em sistemas construtivos alternativos. Sem quadros técnicos, não há oferta capaz de servir a procura que já começa a aparecer.

A terceira é estrutural e depende de vontade política. Os regimes urbanísticos, os incentivos fiscais e a fiscalização precisam de estar alinhados com o que dizemos querer promover. E ao setor privado falta mais organização coletiva, estruturas associativas que representem quem constrói de forma responsável.

Continuamos a informar com clareza quem nos procura, pois as mudanças acontecem quando muitos fazem escolhas diferentes todos os dias.

 

 

Ao longo do seu percurso, tem-se destacado como uma liderança feminina e humanista num setor tradicionalmente marcado pela lógica técnica e produtiva. Como interpreta esta nova etapa da marca – agora sob o nome Nidus Eco – e que significado atribui a este momento de reafirmação da sua visão empresarial?

A empresa que fundei em 2016 como Get to Work passou este ano a chamar-se Nidus Eco. A mudança de nome não é só marketing, é o reconhecimento de uma evolução que já estava a acontecer há anos na prática.

Quando comecei, o foco era a remodelação. Ao longo do tempo, a empresa foi ganhando uma consciência ecológica, sustentável e inclusiva, e começámos a trabalhar com o Light Steel Framing, que é para nós o futuro. Chegou o momento em que o nome anterior já não descrevia o que fazemos. Nidus Eco descreve.

“Nidus” significa “ninho” em latim: o lugar onde algo se abriga, cresce e se prepara para voar. Esta imagem contém o que quero transmitir sobre construção. Uma casa é o ninho de uma família. Um espaço de trabalho é o ninho de uma equipa. E, tal como um ninho verdadeiro é construído com materiais do lugar, com engenho e sem desperdício, as construções que fazemos procuram estar em harmonia com o ambiente e com quem vai viver o espaço.

Construção sustentável, ecológica e inclusiva não é um nicho. É o caminho para onde o setor está a evoluir, e continuamos a trabalhar para estar na frente. É isso que a Nidus Eco representa: uma proposta séria de futuro, ancorada em dez anos de trabalho no terreno e com pessoas com mais de vinte anos de experiência.

Olhando para o presente e para o futuro, quais são as ambições da Nidus Eco para os próximos anos, quer no âmbito nacional, quer numa lógica de expansão e afirmação internacional, e de que forma esta nova identidade e visão poderão continuar a inspirar o setor da construção e a sociedade em geral?

A ambição para os próximos anos é consolidar a Nidus Eco como referência em construção ecológica, sustentável e inclusiva em Portugal. Consolidar significa três coisas: continuar a executar projetos exemplares que mostrem o que o LSF e as soluções ecológicas podem fazer pelas pessoas; formar profissionais dentro da empresa que sustentem o crescimento com qualidade; e continuar a dizer publicamente o que precisa de ser dito sobre o setor.

Há também um caminho pessoal que corre em paralelo. Ao longo destes anos, fui percebendo que o conhecimento acumulado sobre construir bem (casas, equipas, negócios e pessoas) pedia para ser partilhado noutros formatos. Entrei, por isso, numa fase em que, através de mentorias, palestras e consultoria, acompanho outros empresários e líderes a delinearem os seus caminhos. É o mesmo fio de convicção da Nidus Eco à outra escala: construir bem exige atenção às pessoas reais que habitam o que construímos. Construir negócios também.

O que me move é querer deixar um mundo melhor para os meus filhos. Acredito que construir espaços e organizações sustentáveis para pessoas reais é onde faço a diferença. Porque a diferença é o que nos torna únicos, e o amanhã constrói-se hoje! Se cada um de nós fizer a sua parte, o mundo pode ser melhor.

Agradecimento

À Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Lagos e ao seu Comandante, Márcio Regino, pela confiança depositada no nosso trabalho.

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