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Mário Centeno defende nova narrativa sobre fundos europeus

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O International Club of Portugal recebeu ontem, 9 de setembro, Mário Centeno para um almoço-debate no Sheraton Lisboa Hotel & Spa. O antigo Ministro das Finanças e ex-Governador do Banco de Portugal centrou a sua intervenção no papel dos fundos europeus, na disciplina orçamental e no futuro da União Europeia.

Perante membros e convidados do International Club of Portugal, Mário Centeno defendeu a necessidade de alterar a narrativa em torno dos apoios comunitários, sublinhando que estas verbas representam apenas “uma minoria do dinheiro que o Estado investe”. Na sua perspetiva, importa reconhecer que o investimento público nacional é suportado, sobretudo, pelos contribuintes portugueses: “Quem paga o investimento em Portugal são os nossos impostos, não é Bruxelas”.

Fundos europeus e escolhas nacionais

Num contexto em que se antecipam menores verbas destinadas à coesão no próximo quadro financeiro plurianual, Centeno recusou uma visão negativa dos fundos europeus. Embora reconheça a sua importância para a coesão e estabilidade da União Europeia, o economista considerou que os eventuais erros de investimento devem ser atribuídos às opções nacionais e não aos mecanismos comunitários.

“As más decisões fomos nós que as tomámos. Não pagámos com fundos europeus os estádios de futebol, nem as estradas que não concluímos”, afirmou, defendendo uma reflexão mais exigente sobre a qualidade das decisões públicas tomadas em Portugal.

Uma Europa mais forte

O ex-presidente do Eurogrupo defendeu também uma Europa dotada de uma liderança mais forte e capaz de mobilizar os Estados-membros em torno de respostas comuns. Entre os desafios identificados estão a necessidade de reforçar o orçamento europeu, o investimento em defesa, segurança e digitalização, bem como a criação de uma maior capacidade orçamental centralizada.

Neste âmbito, Mário Centeno apontou a emissão de dívida conjunta como um instrumento que demonstrou eficácia durante a resposta europeia à pandemia de Covid-19, contribuindo para transformar a União Europeia num espaço de maior estabilidade.

Disciplina e qualificação

Ao revisitar a evolução da economia portuguesa na última década, Centeno recordou a passagem de Portugal de uma perceção de fragilidade para um período marcado por saldos orçamentais positivos. Para o antigo governante, a sustentabilidade desse percurso dependerá da manutenção da disciplina orçamental e de uma aposta consistente na educação, qualificação e capacidade de criação de valor.

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