Portugal vive um momento decisivo. Entre incertezas políticas e desafios económicos, há algo que me salta aos olhos todos os dias: o talento dos jovens que vou conhecendo. Seja num pitch improvisado, num café em Lisboa ou numa reunião no Porto, encontro rapazes e raparigas com ideias claras, vontade de arriscar e uma confiança que muitas vezes falta a quem já anda há mais tempo no mercado. Esse capital humano existe e é uma das maiores riquezas do país. O que falta é dar-lhe espaço.
A liderança jovem não é uma promessa para o futuro, é uma realidade que já acontece. Vejo jovens a fundar startups tecnológicas, a lançar negócios criativos, a inventar soluções digitais que competem fora do país e até projetos sociais que transformam comunidades locais. Não falam apenas de lucro: falam de impacto, de propósito, de construir algo que valha a pena. Essa forma de olhar para o mundo é refrescante e, sobretudo, necessária num país que precisa de se reinventar.

No entanto, muitos destes talentos esbarram em barreiras que parecem velhas demais para o tempo em que vivemos. A fiscalidade continua pesada logo nos primeiros anos, a burocracia arrasta-se sem prazos claros, e o acesso ao financiamento é quase sempre um caminho cheio de portas fechadas. Já ouvi mais de uma vez: “A minha ideia não avançou porque perdi meses na burocracia” ou “não consegui financiamento porque ninguém quis correr o risco comigo”. É duro ver bons projetos morrerem não pela falta de qualidade, mas pela falta de condições.
Não é preciso ir muito longe para perceber o que está em causa. Cada jovem que se lança num projeto está a criar valor: para si, para a sua equipa, para o país. Cada empresa que nasce pode gerar emprego, inovação, impostos, riqueza. Quando não apoiamos este movimento, não é apenas um empreendedor que perdemos: é uma oportunidade de progresso coletivo que fica para trás.
O papel do Estado é crucial, claro, mas não se trata apenas de leis ou programas. Trata-se de atitude. Incentivos fiscais mais ágeis, processos digitais realmente rápidos, fundos de arranque acessíveis fazem toda a diferença. Mas há também um trabalho de fundo: educar para a liderança e para o risco desde cedo. Não basta formar bons técnicos; precisamos de formar líderes capazes de decidir, de falhar e de tentar outra vez.
Portugal tem tudo para ser um país de referência: qualidade de vida, segurança, talento, universidades fortes, localização estratégica. O que me preocupa é que tantas vezes nos falte a coragem política para alinhar estas vantagens com políticas que libertem a energia empreendedora dos jovens. Vejo demasiado talento a partir para Londres, Berlim ou Amesterdão. Não por falta de ambição, mas por falta de confiança no sistema português.
Apesar disso, continuo otimista. Continuo a acreditar que esta geração tem em si a força necessária para transformar Portugal. Já não se trata de pedir espaço, trata-se de o conquistar. E quanto mais lhes dermos ferramentas e condições, mais depressa veremos resultados. O futuro não pode esperar. É tempo de acreditar nos jovens, abrir portas em vez de levantar barreiras, e confiar que a liderança jovem não é luxo nem retórica: é a chave para o crescimento que tanto precisamos.




