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Ricardo Costa defende lideranças mais humanizadas

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No passado dia 23 de setembro, o International Club of Portugal (ICPT) recebeu mais um dos seus emblemáticos almoços-debate, desta vez com a presença de Ricardo Costa, Chairman do Grupo Bernardo da Costa, que atuou como orador convidado de honra. A sua intervenção, subordinada ao tema “A Felicidade é Lucrativa”, partiu de uma premissa simples, mas transformadora: num mundo em que os melhores talentos têm cada vez mais poder de escolha, as empresas que quiserem atrair e reter colaboradores terão de investir, de forma consistente e autêntica, numa cultura organizacional centrada no bem-estar e na humanização das lideranças.

Um novo paradigma no mercado de trabalho

Ricardo Costa começou por sublinhar que o mercado de trabalho atravessa uma mudança de paradigma. Já não são apenas as organizações a escolher quem contratam; são também os colaboradores — sobretudo os mais qualificados — a decidir onde querem trabalhar. Num contexto marcado por rápidas transições geopolíticas, desafios demográficos, pressão ambiental e o impacto crescente da inteligência artificial e da robotização, o grande diferencial competitivo das empresas passa, cada vez mais, pela sua capacidade de criar ambientes onde as pessoas se sintam valorizadas, livres e cuidadas.

O empresário alertou ainda para um “drama português”: a emigração de jovens qualificados. Referiu, como exemplo, um estudo realizado na Universidade do Porto, em que 70% dos inquiridos manifestaram a intenção de concluir o mestrado e sair do país. Perante este cenário, tornou-se urgente repensar o modelo de liderança e a cultura das organizações, de modo a torná-las mais atrativas e capazes de reter talento.

 

 

 

Da “felicidade” ao “bem-estar”: uma estratégia lucrativa

Inspirado pela criação do Ministério da Felicidade no Dubai, Ricardo Costa implementou, em 2017, o primeiro “Departamento da Felicidade” no Grupo Bernardo da Costa. Esta iniciativa, desenvolvida após a sua experiência no Dubai, visou transformar a cultura organizacional do grupo, promovendo a felicidade como estratégia lucrativa — conceito que está também no centro do seu livro recentemente publicado, “A Felicidade é Lucrativa”.

Ao longo da sua intervenção, o gestor explicou que, com o tempo, passou a falar mais de bem-estar e menos de felicidade. Não acredita, frisou, em quem “despeja benefícios para obter a felicidade”. Para ele, o essencial é criar um “ambiente de liberdade”, em que, quando o dia não corre bem, haja pessoas na empresa dispostas a ajudar. A cultura do bem-estar, sustentou, “é feita todos os dias”, e não através de frases feitas escritas nas paredes das empresas. O relevante é criar formas concretas de cuidar do equilíbrio e do bem-estar das pessoas, como caminho para atingir uma felicidade genuína e sustentável.

Ricardo Costa defendeu que são precisas lideranças capazes de transformar as organizações e torná-las mais atrativas. Falou em “lideranças inspiradoras e lideranças humanizadas”.

Para o presidente do Grupo Bernardo da Costa, este é o momento de mudar o tipo de liderança que predomina nas empresas. Sem uma cultura organizacional forte e coerente, alertou, a criação de um suposto “direito à felicidade” “dará asneira”. A felicidade não se impõe por decreto; constrói-se através de práticas diárias, de relações de confiança e de um ambiente em que as pessoas se sintam verdadeiramente cuidadas.

A mensagem final ficou clara: “Atrair os melhores só com cultura de bem-estar” não é apenas um ideal; é uma necessidade estratégica para as empresas que queiram prosperar num mundo em rápida transformação.

 

 

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