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Habitação pública é prioridade para o presidente da Ajuda

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No último mandato à frente da Junta de Freguesia da Ajuda, Jorge Marques faz um balanço de uma freguesia que mudou profundamente nos últimos anos, entre a renovação do espaço público, o reforço das respostas de proximidade e o aumento do preço da habitação. O autarca considera que garantir habitação pública acessível é essencial para evitar uma cidade dividida entre ricos e pobres.

A ligação de Jorge Marques à intervenção pública começou antes da política. Arquiteto de formação, sempre encarou a profissão como uma oportunidade para melhorar a cidade. Cada escola, casa ou praça podia contribuir para melhorar o espaço envolvente e a vida de quem o utiliza.

Da arquitetura à política local

A entrada na Junta aconteceu quase por acaso. Primeiro, através de um convite para apoiar voluntariamente o então presidente. Mais tarde, quando este abandonou o cargo, Jorge Marques aceitou assumir a presidência, apesar de nunca ter planeado uma carreira política. Reconhece que a decisão alterou profundamente a sua vida profissional e familiar, mas garante que tem sido “uma viagem muito interessante”. Agora, no último mandato, não prevê continuar na política. A intenção é regressar à arquitetura, embora admita que possam surgir novos desafios. Ao longo dos seus mandatos, assistiu à transformação da Ajuda. A freguesia, anteriormente mais periférica e marcada por maiores fragilidades económicas, beneficiou da dinâmica da cidade e de um forte investimento no espaço público. Intervenções no Largo da Memória, na Boa Hora e no Rio Seco são alguns dos projetos que destaca.

Mas a valorização da cidade trouxe também um problema grave: o aumento do preço da habitação. O fenómeno tem afastado moradores que viviam na freguesia há várias gerações, contribuindo para a perda de parte da memória e da cultura dos bairros.

 

Jorge Marques, Presidente

 

Habitação é o grande desafio

Para o presidente da Junta da Ajuda, a resposta passa pelo reforço da habitação pública. Considera incomportável que uma família em que cada elemento aufere cerca de mil euros possa suportar uma renda de 1.200 ou 1.400 euros. O mercado, defende, está desregulado, e a construção privada, por si só, não resolverá o problema, devido ao incentivo à habitação de luxo.

Jorge Marques defende uma estratégia que envolva municípios, Governo, cooperativas e privados, apostando na criação e manutenção de habitação pública a preços acessíveis. O objetivo é garantir que profissionais como polícias, professores, cantoneiros ou auxiliares de educação possam continuar a viver na cidade onde trabalham.

A habitação está também ligada, para o autarca, à coesão social e à segurança. Uma cidade dividida entre ricos e pobres corre o risco de perder as relações de proximidade que ajudam a prevenir conflitos. Na Ajuda, considera que o facto de os moradores ainda se conhecerem e desenvolverem atividades em conjunto contribui para os bons indicadores de segurança.

Essa proximidade está igualmente presente na ação diária da Junta. Apesar das limitações legais e financeiras, a autarquia acompanha os problemas dos moradores e encaminha-os para as entidades competentes. Apoio jurídico e psicológico, transporte para consultas e terapias e um Espaço Cidadão são algumas das respostas disponíveis.

Para Jorge Marques, a Junta é “o Estado mais próximo”. Mesmo quando não tem competência para resolver diretamente um problema, entende que não pode simplesmente mandar o cidadão bater a outra porta. A solução passa por acompanhá-lo e ajudá-lo a encontrar quem possa responder.

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