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Gaia recebe evento sobre cultura, gastronomia e turismo de Cabo Verde

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Os sabores, a cultura e o património de Cabo Verde estiveram em destaque em Vila Nova de Gaia, no passado dia 19 de junho, numa sessão que deu a conhecer algumas das expressões mais marcantes da identidade do arquipélago e as suas ligações históricas ao espaço atlântico.

Integrada no ciclo “Sabores e Paladares Ibéricos”, promovido pela La Vida Ibérica em parceria com o El Corte Inglés de Gaia, a iniciativa reuniu participantes em torno do tema “De Santiago a Cabo Verde, as ilhas que são um mundo”. Ao longo do encontro, cruzaram-se perspetivas culturais, históricas e gastronómicas, numa abordagem que evidenciou a diversidade e contemporaneidade cabo-verdiana.

 

O ponto de partida foi um momento simbólico para o país: a participação da Seleção Nacional no Campeonato do Mundo de Futebol de 2026. Mais do que um feito desportivo, o marco foi apresentado como reflexo da crescente afirmação internacional de Cabo Verde, visível também no turismo, na cultura e na valorização dos seus produtos endógenos.

Um dos eixos centrais da sessão incidiu na ligação simbólica entre o Caminho de Santiago e a ilha de Santiago, sublinhando afinidades construídas ao longo de séculos de circulação de pessoas, saberes e tradições no Atlântico. Neste contexto, a gastronomia surgiu como uma das expressões mais evidentes dessa herança partilhada.

Durante o evento foi ainda apresentada a nova ligação aérea direta entre a cidade do Porto e a ilha de Santiago, anunciada pela Cape Verde Global Business, reforçando as oportunidades de aproximação económica, turística e cultural entre os dois territórios.

A componente patrimonial incluiu uma mostra dedicada ao Panu di Téra, tecido tradicional classificado como Património Cultural Imaterial de Cabo Verde, símbolo de identidade e resistência cultural.

 

 

 

O programa contou com a participação de Elizandra Barbosa, da Cape Verde Global Business, e do professor Pedro Matos, da Associação Ka Djidja, que apresentou a Festa do Queijo e o processo de certificação do Queijo de Monte Grande. Produzido na ilha do Fogo, este queijo integra um projeto de valorização que visa reforçar o reconhecimento da sua autenticidade e origem.

A gastronomia assumiu um papel central na sessão, não apenas como expressão cultural, mas como reflexo das práticas agrícolas, das influências históricas e da relação das comunidades com o território insular. Entre os produtos em destaque estiveram o Queijo de Monte Grande, o Café do Fogo — comercializado sob a marca BURKAN — e os vinhos vulcânicos da ilha do Fogo, com particular enfoque no tradicional Vinho Manecon.

A sessão encerrou com um momento de degustação que permitiu aos participantes contactar diretamente com estes produtos, evidenciando a singularidade resultante das condições geológicas e climáticas do arquipélago.

Ao reunir património, tradição e inovação, a iniciativa mostrou como os sabores de Cabo Verde continuam a desempenhar um papel relevante na preservação da memória coletiva e na projeção internacional da identidade cultural do país, reforçando, simultaneamente, as ligações entre comunidades atlânticas.

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