No passado dia 16 de julho, o International Club of Portugal recebeu António Carlos Rodrigues, CEO do, como orador convidado de honra num almoço-debate dedicado ao tema “Industrialização da Construção: Produtividade, Soberania e Futuro”.
Na sua intervenção de abertura, o responsável destacou o papel determinante da construção industrializada na resposta aos atuais desafios do setor, em particular à escassez de mão de obra. “Com o volume de mão-de-obra atual, este modelo permite-nos triplicar a capacidade de resposta”, afirmou, sublinhando o impacto direto da industrialização no aumento da produtividade e na eficiência operacional.
António Carlos Rodrigues defendeu que esta abordagem implica uma transformação estrutural do setor, assente numa forte aposta na digitalização e no planeamento antecipado. “Exige muito trabalho antes de executar, mas a montagem é feita com maior precisão e o custo de alterar o projeto é significativamente menor”, explicou, apontando para um modelo onde há “menos improviso e mais projeto”.
Entre as vantagens destacadas, o CEO do Grupo Casais referiu ainda ganhos ao nível da segurança, da previsibilidade e das condições de trabalho, com menor exposição às condições climáticas e maior equilíbrio entre vida profissional e pessoal. A industrialização permite igualmente reduzir a dependência de mão de obra indiferenciada, promovendo uma maior qualificação dos profissionais e contribuindo para uma maior paridade de género em ambiente fabril.
Como exemplo concreto, António Carlos Rodrigues referiu a construção de uma residência estudantil em Beja, onde foi possível reduzir significativamente o número de trabalhadores em obra, de 300 para cerca de 100, graças à adoção de métodos industrializados.
No plano estratégico, o responsável alertou para a necessidade de criar um verdadeiro ecossistema industrial no setor da construção, sob pena de Portugal não conseguir responder a grandes projetos estruturantes, como o novo aeroporto de Lisboa ou a rede de alta velocidade ferroviária. “Se não tivermos capacidade, vamos ter de pagar o preço que nos ditarem”, advertiu.
A intervenção reforçou a ideia de que a transformação do setor não é apenas uma oportunidade, mas uma exigência, num contexto em que a competitividade, a soberania produtiva e a capacidade de execução estão cada vez mais interligadas.






