Bruno Simões, CEO da Kapta, lidera uma empresa de software que desenvolve soluções de integração entre sistemas de pagamentos e faturação, automatizando processos e permitindo que transações sejam convertidas em faturas em tempo real. A plataforma liga diferentes ferramentas financeiras e operacionais, como MB Way, PayPal ou Stripe, sem necessidade de substituição dos softwares já utilizados pelas empresas, assegurando maior eficiência e redução de tarefas manuais. Atualmente, a Kapta está presente em vários mercados europeus e conta com mais de cinco mil utilizadores em Portugal, num modelo que aposta na escalabilidade e na automatização de processos financeiros.
A formação de um percurso fora do padrão
O contacto de Bruno Simões com a tecnologia não seguiu um caminho convencional. A entrada no mercado de trabalho acontece cedo, após uma situação familiar que o obriga a interromper os estudos. “Acabei por ter de começar a trabalhar, e fiz uma pausa nos estudos”, recorda. Foi na primeira experiência como técnico informático que surgiu o contacto com a programação. “Estar a apertar parafusos não era para mim”, afirma, descrevendo a evolução rápida para o desenvolvimento de software. Aos 17 anos já trabalhava em Londres e Manchester. “Foi uma experiência enriquecedora, que me permitiu amadurecer mais rapidamente e enfrentar a realidade”.
De regresso a Portugal, passou a desenvolver projetos inovadores que, na altura, não encontravam resposta no mercado. Entre eles, destacou-se uma aplicação de entregas inspirada em modelos britânicos. O conceito não teve sucesso comercial, mas antecipava soluções que viriam a ser adotadas anos mais tarde a nível global. O próprio projeto acabou por não se concretizar como esperado, numa fase em que ainda se encontrava à frente do seu tempo.

Um mercado limitado
Instalado no Algarve, Bruno Simões encontra um ecossistema empresarial pouco preparado para soluções tecnológicas avançadas. “Aqui o comerciante abria a porta e já tinha cliente. Não havia necessidade de evoluir”, observa.
Esse contexto limita a procura e obriga a empresa a procurar clientes fora do país. “Nós estávamos muito à frente daquilo que era normal aqui”, afirma. A experiência reforça a perceção de que o mercado português, especialmente no sul, tinha uma maturidade digital ainda reduzida.
É neste cenário que surge a transformação da empresa em Kapta. “Captei a essência: Kapta”, explica Bruno Simões. A mudança não é apenas de nome, mas de identidade e posicionamento. A empresa passa a apostar numa imagem altamente coerente e profissional. “Existia a preocupação em utilizar imagens reais e em garantir uma identificação clara de quem estava a ser contactado”.
Essa consistência visual e comunicacional passa a assumir um papel central na construção da identidade da empresa, funcionando como um elemento diferenciador num mercado ainda pouco estruturado. Mais do que uma questão estética, trata-se de uma aposta deliberada na credibilidade e na clareza da comunicação, reforçando a confiança junto de potenciais clientes e parceiros. A coerência da marca contribui, assim, para consolidar o seu posicionamento num contexto em que a profissionalização do setor ainda se encontrava em desenvolvimento.
Da dispersão ao foco
Durante anos, a empresa explora várias áreas – software, design e marketing – até ao momento de viragem provocado pela pandemia. “Percebemos que não dava para fazer tudo”, admite Bruno Simões. A partir daí, a Kapta redefine-se e passa a focar-se exclusivamente na automação de processos financeiros.
“O sistema não substitui ferramentas já existentes, mas liga-as entre si, permitindo a sua integração sem necessidade de alterar os softwares em uso”, explica.
Na prática, a Kapta cria uma camada de integração entre sistemas de pagamento como MB Way, PayPal ou Stripe e os softwares de faturação já utilizados pelas empresas. Sempre que ocorre uma transação, a fatura é gerada automaticamente, eliminando processos manuais e reduzindo erros.
Esta automatização traduz-se numa maior agilidade na gestão diária das empresas, permitindo reduzir o tempo despendido em tarefas administrativas repetitivas e concentrar recursos em áreas mais estratégicas. Ao garantir a ligação fluida entre diferentes plataformas, a solução contribui também para uma maior consistência dos dados financeiros, diminuindo falhas e aumentando a fiabilidade da informação disponível para decisão.

Crescimento e futuro internacional
Com mais de cinco mil utilizadores em Portugal, a Kapta começa agora a expandir-se para outros mercados europeus. “Portugal é um laboratório. Pequeno, mas com regras fiscais complexas”, refere Bruno Simões, destacando a vantagem competitiva que isso representa na internacionalização do produto. O crescimento acontece de forma orgânica, impulsionado por integrações com grandes plataformas digitais e pela necessidade crescente de automação financeira em micro e pequenas empresas.
Apesar da forte componente tecnológica, a empresa mantém uma abordagem cautelosa à inteligência artificial. “Usamos IA, mas só cerca de 10% do trabalho”, explica o CEO. O foco está no controlo e na previsibilidade dos sistemas. “Se houver um erro numa fatura de 20 mil transações, o impacto é enorme”, alerta. A cultura interna reflete essa mesma lógica de equilíbrio. A equipa é reduzida, com forte aposta na autonomia individual. “Dou 100% de autonomia e 100% de responsabilidade”, afirma. No recrutamento, Bruno Simões valoriza sobretudo a atitude. “Valorizo mais quem aparece à porta do que quem manda um e-mail perfeito”, diz, sublinhando a importância da iniciativa pessoal.
Num percurso marcado pela adaptação constante e pela capacidade de antecipar necessidades do mercado, a Kapta afirma-se hoje como mais do que uma empresa de tecnologia. Com a expansão para novos mercados europeus, a Kapta pretende continuar a simplificar processos financeiros através da automação e da integração entre sistemas, ajudando empresas a crescer com maior eficiência e menor complexidade operacional. Ao integrar sistemas, automatizar processos e reduzir a intervenção manual, a empresa de Bruno Simões traduz uma visão clara de eficiência e escalabilidade, onde a tecnologia funciona de forma quase invisível para o utilizador. Entre a experiência acumulada e a expansão internacional em curso, o projeto consolida-se com uma ambição definida – transformar processos complexos em operações simples, automáticas e intuitivas, num ecossistema digital cada vez mais exigente.








