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Cerveja com identidade açoriana

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Tara McLean e Edmundo Estrela são, em muitos aspetos, um casal que fez da inquietação um projeto de vida. Apaixonados por ciência e por desafios, trocaram, em 2017, a “selva de betão” por um recomeço na ilha natal de Edmundo, nos Açores. A mudança, longe de ser apenas geográfica, foi também emocional e profissional: trouxe-os para um território onde viram não um limite, mas uma oportunidade.

Tara, entusiasta de cerveja e formada em Química, identificou cedo uma lacuna no mercado local: faltava cerveja de qualidade na região. A partir dessa constatação nasceu a vontade de produzir a sua própria cerveja, agora com o contributo de Edmundo, engenheiro de formação. Entre os dois, juntaram conhecimento, método e uma forte capacidade de adaptação aos desafios próprios da vida numa ilha, desde a logística até ao acesso a recursos.

O sonho ganha corpo

Nos primeiros tempos, amigos e familiares tornaram-se provadores informais. O feedback encorajador que receberam funcionou como combustível para o projeto e ajudou a consolidar uma ideia que, até então, vivia sobretudo da persistência e da experimentação. A partir daí, o sonho começou a ganhar forma, primeiro em casa, depois em plano empresarial. Em 2020, o casal iniciou uma jornada de quatro anos para erguer a Azores Brewing Company. O percurso foi tudo menos linear: a pandemia travou atividades, obrigou a reposições estratégicas e, mais tarde, a guerra na Ucrânia interferiu com o fornecimento de equipamentos, forçando uma nova readaptação da operação. Ainda assim, a empresa manteve o rumo, ancorada na mesma lógica que a viu nascer: “Fazer com rigor, com autenticidade e com aquilo que o território permite”, sublinha Edmundo.

 

Edmundo Estrela e Tara Mclean, Fundadores

 

Cerveja com identidade açoriana

A Azores Brewing afirma-se, hoje, como uma marca profundamente ligada ao arquipélago. A produção combina cervejas principais, pensadas para distribuição regular, com sazonais que funcionam como espaço de criatividade e de ligação ao que é local. Edmundo Estrela sublinha que a empresa “procura usar ingredientes e referências açorianas sempre que possível, transformando o território em parte ativa do produto final”. Entre as criações mais marcantes esteve a primeira sour feita nos Açores, com morango e ananás do arquipélago, exemplo de uma abordagem que junta experimentação, identidade e capacidade de leitura do mercado. Mais recentemente, a marca apostou numa rice lager japonesa com chá verde dos Açores, reforçando a ideia de que inovação e território não são conceitos opostos, mas complementares.

Uma marca, várias frentes

Para Edmundo Estrela, a força da Azores Brewing não está apenas nas receitas, mas também “no rigor da produção, na apresentação da marca e na forma como a história do projeto é contada ao público”. A empresa valoriza o storytelling como instrumento de proximidade e fidelização, assumindo com transparência as dificuldades, as etapas e as soluções encontradas ao longo do caminho. Essa autenticidade ajuda a explicar a recetividade do público local e visitante. Em dois anos de atividade, a Azores Brewing diz já ter-se tornado a marca de cerveja artesanal com maior volume de vendas nos Açores, um feito que traduz, não só crescimento comercial, mas também capacidade de afirmação num mercado ainda pouco diversificado.

Para lá da cerveja

A ambição da empresa vai além da produção de cerveja. A Azores Brewing quer afirmar-se como veículo de promoção da cultura e da identidade açoriana, dentro e fora do arquipélago. A presença em eventos culturais, desportivos e artísticos mostra “uma marca que procura participar na vida da região e projetar os Açores como destino com linguagem própria, produtos distintivos e uma imagem coerente”, salienta Edmundo. No centro desta trajetória está uma ideia simples e poderosa: transformar paixão, ciência e resiliência em valor. Tara e Edmundo construíram uma cervejaria no coração do Atlântico que é, ao mesmo tempo, negócio, projeto de vida e afirmação do território.

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