Em Santa Cruz, o SteakHouse Mar de Carne Wine & Gin nasceu com uma ideia simples: aproximar uma proposta de carne diferenciada do mar. Ao longo de três anos, Pedro Marcelino e Ana Marcelino foram construindo um restaurante onde a qualidade do produto, a partilha e a relação com o cliente assumem um papel central. Entre cortes maturados, vinhos, gin e produtos de proximidade, o espaço procura afirmar uma identidade própria, sem perder a capacidade de ouvir e acompanhar quem se senta à mesa.

Uma ideia que nasceu junto ao mar
O nome Mar de Carne traduz, desde logo, parte da identidade do restaurante. “Mar” surge de Marcelino, o apelido dos proprietários, mas também da proximidade do oceano, enquanto “carne” identifica o centro da proposta gastronómica. A ideia começou a ganhar forma a partir da experiência de Pedro Marcelino na área da pastelaria e da vontade antiga de avançar com um restaurante.
O projeto acabaria por nascer de forma independente. “Decidi embarcar sozinho e abraçar o projeto”, explica Pedro Marcelino, recordando a decisão de avançar depois de não encontrar o apoio esperado para concretizar a ideia. Ana Marcelino, por sua vez, vinha de uma área completamente distinta: trabalhou durante cerca de dez anos em geriatria antes de se juntar ao marido nesta aventura. A mudança representou um desafio, mas também uma oportunidade para começar de novo. “Decidi realmente apoiar o meu marido nesta área da hotelaria. E, também por ser novidade para mim, acaba por ser desafiador. É preciso arriscar”, conta Ana Marcelino. Hoje, olha para essa decisão como “uma aposta ganha”.
Desde o início, o objetivo passou por criar uma oferta diferenciadora numa zona onde, apesar da proximidade das praias, não existiam muitas propostas centradas na carne. “Foi trazer um pouco da carne para perto do mar”, resumem.

A qualidade como ponto de partida
A carne ocupa o centro da carta, mas a sua qualidade começa muito antes de chegar à mesa. A disponibilidade de determinados cortes pode variar, obrigando, por vezes, à procura de novos fornecedores ou a um maior investimento para manter os padrões da casa. “Procuramos sempre ter qualidade, não falhar ou tentar não falhar”, explica Pedro Marcelino. Quando um produto não corresponde às expectativas, a decisão é clara: “Prefiro não vender e fazer outras propostas”.
A preocupação com a qualidade estende-se à preparação. As peças chegam inteiras ao restaurante e são trabalhadas internamente, permitindo obter diferentes cortes e maximizar o seu aproveitamento. Uma só peça pode dar origem a várias propostas, como nacos, espetadas ou pica-pau. A mesma lógica aplica-se ao restante produto: “Desperdício zero. É tudo o que é carne”, afirma Pedro Marcelino, explicando que até a gordura da picanha é aproveitada na confeção do hambúrguer. Também os acompanhamentos seguem esta filosofia. Batata, arroz, feijão, saladas e legumes são preparados de acordo com a procura, evitando excessos e perdas desnecessárias. “O único que exclusivamente pedimos é que não haja desperdício alimentar”, sublinha o proprietário, numa abordagem que procura conciliar qualidade, frescura e sustentabilidade.
Uma mesa feita para partilhar
Mais do que uma refeição, o SteakHouse Mar de Carne procura proporcionar uma experiência de convívio. “Quem monta o prato é o cliente”, referem Ana e Pedro Marcelino, numa carta que permite escolher carnes e acompanhamentos ao gosto de cada pessoa. A partilha assume um papel central, com cortes como o Tomahawk e o T-bone, além da possibilidade de preparar a carne na pedra, diretamente à mesa. Com capacidade para cerca de 58 pessoas, a casa dispõe também de propostas pensadas para grupos.
A experiência prolonga-se às bebidas, refletindo o próprio nome da casa: SteakHouse Mar de Carne Wine & Gin. A carta reúne cerca de 57 referências de vinho, com especial atenção aos produtores da região de Lisboa. “Temos excelentes produtores de vinho aqui à nossa volta”, destaca Pedro Marcelino. A escolha não segue regras rígidas, permitindo também brancos e rosés para acompanhar a carne, enquanto o gin surge como aperitivo ou no final da refeição, sempre de acordo com o perfil e o gosto de cada cliente.
Uma oferta que soube ouvir
Embora a carne continue a ser protagonista, o SteakHouse Mar de Carne foi alargando a carta para responder às necessidades de grupos e famílias. Surgiram, assim, alternativas como bacalhau, polvo, atum e massas, sem comprometer a identidade da casa. “Temos que ouvir o cliente. Tivemos que nos adaptar às realidades do consumidor”, explica Pedro Marcelino.
A ideia é permitir que diferentes preferências convivam à mesma mesa: enquanto uns escolhem carnes maturadas, outros podem optar por peixe ou por um hambúrguer. A mesma flexibilidade aplica-se aos acompanhamentos, escolhidos pelo cliente de acordo com o que pretende consumir.
Esta adaptação acompanha também uma preocupação com o desperdício alimentar. As doses foram reduzidas e os acompanhamentos adicionais são servidos mediante pedido, evitando excessos e permitindo ajustar a refeição às necessidades de cada cliente.

Produtos locais e atenção ao detalhe
A proximidade é um dos princípios do restaurante, que privilegia produtos frescos e acompanhamentos adquiridos, sempre que possível, a produtores da região. “Não é só a carne que tem que ser boa. É tudo o que acompanha”, afirma Pedro Marcelino.
A gestão das compras é igualmente pensada para garantir frescura, evitar excessos e reduzir o desperdício.
A preocupação com a experiência estende-se ao ambiente, com uma seleção musical ajustada à época do ano e a ocasiões especiais. “Não é só a gastronomia. Tentamos que, principalmente, as pessoas se sintam confortáveis”, explica Pedro Marcelino, sublinhando que a experiência começa no atendimento e se prolonga para além da refeição.
Uma identidade própria para o futuro
Depois de três anos de atividade, o SteakHouse Mar de Carne entra numa fase de consolidação, sem deixar de procurar novas formas de se afirmar. A mais recente é o molho Mar de Carne, criado à base de cerveja e mostarda e pensado para acompanhar diferentes proteínas, do frango ao porco, do hambúrguer ao atum e à carne. Uma especialidade própria que procura responder aos clientes e criar uma memória associada à casa.
Mais do que reinventar, Ana e Pedro Marcelino apostam numa identidade assente na qualidade, na simplicidade e na capacidade de adaptação. “Não vamos inventar muito. Isto está tudo inventado. Ser simples e bom dá muito trabalho”, resume Pedro. O futuro permanece em aberto, com novas ideias em perspetiva, mas a prioridade é consolidar o caminho já percorrido.
No centro dessa visão está uma ambição simples: proporcionar uma experiência que convide a regressar. “Ninguém vem para o restaurante só para comer”, afirma Pedro. Entre a carne, o vinho, o gin, as sobremesas e o ambiente pensado para a partilha, o SteakHouse Mar de Carne procura transformar cada refeição num momento de convívio – uma identidade própria construída em Santa Cruz, entre a carne e o mar.







