No Dia Internacional do Café, celebramos uma tradição que move a economia portuguesa e europeia
Há hábitos que definem a identidade de um país. Em Portugal, beber um café é um deles.
Neste Dia Internacional do Café, a Associação Industrial e Comercial do Café (AICC) lembra que o café é muito mais do que um hábito diário – é um setor estratégico que gera riqueza, emprego, inovação e valor para Portugal e para a Europa.
Beber um café é um dos gestos mais enraizados na vida dos portugueses. Ao balcão, depois de uma refeição, numa pausa apressada ou numa conversa que se prolonga – o café acompanha rotinas, encontros e gerações. Mas, neste Dia Internacional do Café, importa olhar para além da chávena: por detrás deste hábito quotidiano existe uma fileira económica com peso real na vida do país que merece ser conhecida e valorizada.
Um estudo independente da Europe Economics, elaborado para a European Coffee Federation e publicado em junho de 2026, revela a dimensão deste impacto. Em Portugal, a fileira do café gera 7,6 mil milhões de euros de produção económica, contribui com 3,8 mil milhões de euros para o Valor Acrescentado Bruto (VAB) e apoia mais de 106 mil postos de trabalho. Só em receitas fiscais, o setor representa 1,18 mil milhões de euros anuais. Números que ajudam a colocar em perspetiva aquilo que tantas vezes parece apenas um pequeno gesto diário.
O café que se bebe fora de casa vale mais do que parece
Portugal destaca-se na Europa pela sua cultura de consumo fora de casa. Cafés, pastelarias, restaurantes e hotelaria concentram 83% de toda a produção económica associada ao café. A indústria e torrefação representam 13%, enquanto o retalho ligado ao consumo doméstico corresponde a 4%.
Uma chávena servida num estabelecimento não é apenas café: é trabalho, atendimento, equipamento, espaço, serviço e experiência. É também uma ligação direta ao tecido empresarial da restauração e da hotelaria, setores que dependem deste consumo diário para gerar valor e emprego.
Uma cadeia que multiplica riqueza
A fileira do café envolve importação, indústria, torrefação, distribuição, retalho, equipamentos, serviços e restauração. O estudo mostra que o setor tem um forte efeito multiplicador: por cada euro de valor gerado diretamente, são criados cerca de 2,3 euros na economia portuguesa. E por cada emprego direto, são apoiados mais de dois postos de trabalho no restante tecido económico.
Valorizar o café é, por isso, valorizar as empresas e os profissionais que mantêm esta cadeia viva.
Portugal numa Europa que vive de café
A União Europeia é o maior mercado consumidor de café do mundo, responsável por 24% do consumo global. No conjunto da Europa – UE, Reino Unido, Noruega e Suíça – a fileira representa 582,8 mil milhões de euros de produção, 251,5 mil milhões de euros de VAB e 4,7 milhões de empregos, ou seja, o setor equivale a cerca de um quarto do VAB de toda a indústria europeia de alimentação e bebidas. Portugal integra esta realidade com peso próprio. Em 2023, o país representou 2,5% da produção europeia de café torrado – um valor expressivo para a dimensão nacional e um sinal da capacidade industrial instalada.
Um setor que enfrenta desafios – e que precisa de ser reconhecido
Alterações climáticas, custos das matérias-primas, sustentabilidade, eficiência dos recursos, inovação tecnológica e novos hábitos de consumo são desafios que exigem investimento e adaptação. Mas exigem também que o setor seja reconhecido pelo que é: estratégico para a economia e para o emprego em Portugal.
Muito mais do que uma chávena
O café é encontro, pausa, conversa, rotina, cultura. É parte da vida portuguesa. Mas é também riqueza, empresas, inovação e milhares de profissionais que, todos os dias, fazem este setor avançar.
Neste Dia Internacional do Café, celebramos tudo o que uma simples chávena põe em movimento – uma economia, uma indústria e uma tradição que faz parte da identidade portuguesa.
Café: um pequeno gesto, um grande impacto.








