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A TAAG como embaixadora de Angola

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Quase nove décadas depois de levantar voo, a TAAG Angola Airlines vive um dos momentos mais decisivos da sua história: a transformação de uma companhia de bandeira com forte carga simbólica numa empresa competitiva, moderna e preparada para um setor global em rápida mudança. Numa entrevista exclusiva, o Chief Commercial Officer (CCO) da TAAG, Joelson Vasconcelos, explica como a empresa interpreta esta herança e a converte numa visão contemporânea assente em fiabilidade operacional, renovação da frota, disciplina comercial, rede sustentável e uma experiência de passageiro mais consistente.

Ao longo de quase nove décadas, a TAAG atravessou diferentes fases da história de Angola, afirmando-se hoje como a companhia aérea de bandeira do País. Como é que a empresa interpreta esta herança e de que forma a transforma numa visão contemporânea, capaz de responder às exigências de um setor global, competitivo e em rápida mudança?

A história da TAAG acompanha, em muitos momentos, a própria evolução de Angola. Quase nove décadas de operação deram-nos uma responsabilidade acrescida: preservar o valor de uma companhia de bandeira e, ao mesmo tempo, transformá-la numa empresa preparada para competir num setor global muito exigente. Hoje, essa transformação assenta em pilares muito concretos: maior fiabilidade operacional, renovação da frota, disciplina comercial, uma rede sustentável e uma experiência de passageiro mais consistente. A herança da TAAG é um ativo, mas tem de ser convertida em valor contemporâneo. Isso significa honrar a nossa identidade, reforçando simultaneamente a capacidade de ligar Angola aos mercados estratégicos para o país, servir melhor os nossos clientes e competir pelos passageiros que têm alternativas. É essa combinação entre história, modernização e ambição que queremos projetar.

 

Joelson Vasconcelos, Chief Commercial Officer

 

A renovação da frota, com a incorporação dos Airbus A220 e dos Boeing 787 Dreamliner, constitui um dos eixos centrais da transformação da TAAG. Que impacto está esta modernização a ter na eficiência operacional, na experiência do passageiro e na capacidade da companhia para se posicionar como uma referência da aviação africana?

A renovação da frota é um dos instrumentos mais visíveis da transformação da TAAG, mas o seu verdadeiro valor está no impacto que produz na operação e no cliente. Os Airbus A220 e os Boeing 787 Dreamliner permitem-nos adequar melhor a capacidade às características de cada mercado, beneficiar de maior eficiência operacional e de consumo e oferecer um produto mais moderno e confortável. Para a área comercial, isto significa também maior flexibilidade na gestão da rede e melhores condições para desenvolver mercados de forma sustentável. O objetivo não é simplesmente operar aeronaves mais recentes; é fazer com que esse investimento se traduza em maior regularidade, melhor experiência, confiança na marca e competitividade. Uma companhia africana de referência constrói-se tanto pela qualidade dos seus ativos como pela consistência com que os utiliza.

Luanda reúne condições para se afirmar como uma plataforma de ligação entre África, a Europa e a América do Sul. Que papel desempenha a TAAG na consolidação do Aeroporto Internacional Dr. António Agostinho Neto como hub estratégico e que novos destinos, parcerias ou oportunidades poderão reforçar esta vocação?

O Aeroporto Internacional Dr. António Agostinho Neto cria uma oportunidade estrutural para Angola reforçar a sua posição como plataforma de ligação entre África, a Europa e a América do Sul. Mas um hub não se constrói apenas com uma grande infra-estrutura aeroportuária. Exige uma rede coerente, horários que favoreçam ligações, fiabilidade, qualidade de serviço e parcerias capazes de ampliar o alcance comercial da companhia. A TAAG tem, por isso, um papel central na consolidação deste ecossistema. Estamos focados em reforçar a conectividade de Luanda, consolidar mercados relevantes e desenvolver ligações onde exista procura e valor estratégico. A ligação a Cabo Verde via Dakar é um exemplo dessa lógica de expansão e de reforço da conectividade regional. As parcerias serão igualmente importantes, porque nenhuma companhia constrói um hub competitivo apenas com a sua própria rede. O objetivo é fazer de Luanda um ponto de ligação cada vez mais natural e eficiente entre diferentes mercados.

A ligação Luanda–Lisboa ultrapassa a dimensão de uma rota comercial, reflectindo uma relação histórica, cultural e económica profunda entre Angola e Portugal. Como avalia a TAAG a importância deste eixo para a mobilidade de empresários, investidores, estudantes, turistas e comunidades, e que evolução prevê para este mercado?

Lisboa é um dos mercados mais relevantes da TAAG e tem características muito particulares. A procura resulta de relações económicas, empresariais, familiares, académicas e culturais profundas entre Angola e Portugal, pelo que esta rota está muito para além de uma simples ligação ponto-a-ponto. Serve comunidades, empresas e investidores e funciona também como porta de entrada e de saída para outros mercados. A introdução do Boeing 787 neste eixo reforça a qualidade do produto e a capacidade da TAAG para responder a um passageiro cada vez mais exigente. Vemos potencial para continuar a desenvolver esta ligação, mas com uma lógica de consistência e sustentabilidade: frequência adequada, fiabilidade, qualidade de serviço e uma proposta comercial competitiva. Queremos que o passageiro escolha a TAAG não apenas porque voamos entre Luanda e Lisboa, mas porque confia na experiência que oferecemos.

 

 

Enquanto embaixadora de Angola, a TAAG transporta mais do que passageiros: transporta uma imagem, uma cultura e uma narrativa nacional. Que contributo pretende dar para a projecção internacional da marca Angola e como pode a companhia conciliar hospitalidade, identidade cultural, qualidade de serviço e sustentabilidade no seu processo de crescimento?

A TAAG é, para muitos passageiros, um dos primeiros contactos com Angola e, para outros, a última memória do país antes de regressarem a casa. Isso dá-nos uma responsabilidade particular na projecção internacional da marca Angola. Queremos que a experiência TAAG transmita uma companhia contemporânea, profissional e genuinamente angolana, valorizando a nossa hospitalidade e identidade sem abdicar dos padrões internacionais de serviço. Representar Angola não significa apenas incorporar elementos culturais no produto; significa projectar confiança, competência, qualidade e abertura ao mundo. A forma como recebemos, a consistência da operação e a capacidade de ligar pessoas, empresas e oportunidades fazem parte dessa representação. E o crescimento terá de ser responsável: uma rede economicamente racional, uma frota mais eficiente e melhoria contínua do serviço são componentes da mesma estratégia. A melhor promoção de Angola que podemos fazer é proporcionar uma experiência que leve o passageiro a querer voltar a voar connosco e a regressar ao país.

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