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Visão, rigor e estratégia

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Num mercado jurídico cada vez mais internacional e complexo, a REAL Avocats à la Cour afirma-se pela combinação de independência, especialização técnica e proximidade com o cliente. Em entrevista, Maria Ana Real Geraldo Dias, Managing Partner, explica a visão que esteve na origem do escritório em 2015, o papel estratégico do advogado na antecipação de riscos e na tomada de decisão empresarial, e como a diversidade linguística e cultural do Luxemburgo influencia a prática diária e o acompanhamento de clientes nacionais e internacionais.

A REAL Avocats à la Cour foi fundada em 2015 com uma identidade independente e uma equipa jovem e dinâmica. Que visão esteve na origem da criação do escritório e de que forma essa visão continua a orientar o seu crescimento e posicionamento no mercado jurídico luxemburguês?

A REAL Avocats à la Cour foi fundada em 2015 a partir de uma conceção exigente do exercício da advocacia. A prática do escritório assenta na articulação rigorosa entre a análise jurídica, a decisão estratégica e a execução, atendendo à especificidade dos factos e ao contexto em que o Direito é aplicado. O crescimento do escritório resulta da consistência desta prática e da confiança que dela decorre. A organização da equipa e a consolidação das suas competências acompanham essa evolução, preservando a relação direta com o cliente. É a continuidade desta orientação que define o posicionamento da REAL Avocats à la Cour no mercado luxemburguês.

Num contexto empresarial cada vez mais internacional, como define o papel do advogado: deve limitar-se à resolução de litígios ou assumir também uma função estratégica na antecipação de riscos e na tomada de decisões dos seus clientes?

Num contexto empresarial internacional, a intervenção atempada do advogado permite integrar o Direito no processo de decisão antes de o conflito adquirir dimensão contenciosa. A análise jurídica considera a situação na sua globalidade, identifica os riscos que lhe são inerentes e avalia as consequências das soluções jurídicas consideradas. O contencioso permanece essencial, mas insere-se numa atuação mais ampla, orientada para a prevenção do litígio e para a definição de posições juridicamente fundamentadas. Esta intervenção enquadra juridicamente a decisão empresarial e esclarece as condições da respetiva execução. Prevenção, negociação e contencioso constituem momentos articulados de uma mesma estratégia jurídica.

 

Maria Ana Real Geraldo Dias, Managing Partner

 

A REAL Avocats à la Cour actua em áreas diversificadas, como o Direito civil e comercial, imobiliário, laboral, penal, da família e da União Europeia. Como conseguem assegurar uma abordagem transversal sem perder a especialização e a profundidade necessárias em cada área?

A diversidade das áreas de atuação exige especialização em cada domínio e coordenação entre as diferentes vertentes jurídicas. Cada assunto é confiado aos profissionais cuja experiência corresponda às questões em causa. A coordenação interna, o estudo continuado e a revisão técnica das posições adotadas permitem integrar essas vertentes numa estratégia comum, preservando a especificidade técnica própria das questões em análise.

Nos assuntos que envolvem ordenamentos estrangeiros, a intervenção é desenvolvida em articulação com profissionais e escritórios parceiros selecionados em função das exigências específicas de cada matéria. Esta organização permite manter coerência na orientação, rigor na fundamentação e continuidade no acompanhamento.

A sua experiência profissional inclui a prática numa sociedade de advogados de primeira linha e funções como jurista-linguista junto das instituições europeias. De que forma esse percurso influenciou a sua forma de interpretar o Direito, comunicar com os clientes e liderar uma equipa?

O exercício da advocacia numa sociedade de advogados no Luxemburgo consolidou um método de trabalho assente na preparação exigente, na organização do processo decisório e no rigor da atuação. As funções de jurista-linguista no Tribunal de Justiça da União Europeia aprofundaram a atenção dedicada à precisão da linguagem, à coerência dos conceitos e à articulação entre diferentes ordens jurídicas. A interpretação do Direito exige uma leitura rigorosa do texto, integrada no respetivo contexto e finalidade, bem como a consideração dos efeitos concretos da solução adotada. Na relação com o cliente, a complexidade jurídica é exposta com clareza, mediante a delimitação precisa do alcance das soluções, do quadro jurídico aplicável e das condicionantes processuais. Na direção de equipas, a mesma exigência traduz-se na definição clara das orientações e na responsabilidade pela sua concretização. A autoridade assenta no critério das decisões, na solidez da respetiva fundamentação e na constância da atuação.

A confiança é um dos pilares da relação entre advogado e cliente, sobretudo em matérias complexas ou sensíveis. Que princípios considera indispensáveis para construir relações profissionais duradouras e garantir um acompanhamento jurídico simultaneamente rigoroso, próximo e transparente?

A confiança na relação profissional assenta na consistência e na qualidade do trabalho desenvolvido, exigindo preparação rigorosa, conhecimento aprofundado dos factos e uma definição clara do respetivo enquadramento jurídico. Em matérias complexas ou sensíveis, a condução do assunto exige continuidade e comunicação atempada, com uma exposição transparente das opções disponíveis, dos riscos inerentes e dos limites impostos pelo Direito ou pela tramitação processual. A proximidade na relação com o cliente permite compreender os seus objetivos e integrar as circunstâncias relevantes na análise, articulando esse conhecimento com a independência e o rigor do aconselhamento. A apreciação continuada dos factos, do quadro normativo e da tramitação aplicável permite ajustar a estratégia à evolução das circunstâncias, preservando a coerência da posição jurídica definida. A confiança consolida-se, assim, na unidade de critério entre a análise, a orientação e a atuação.

Sendo uma advogada multilingue, com capacidade de trabalhar em francês, inglês, alemão, português e luxemburguês, como é que a diversidade linguística e cultural do Luxemburgo influencia a prática da REAL Avocats à la Cour e a forma como o escritório acompanha clientes nacionais e internacionais?

No Luxemburgo, a pluralidade linguística e cultural integra o exercício quotidiano da advocacia. Trabalhar em francês, inglês, alemão, português e luxemburguês permite analisar os documentos na língua em que foram elaborados, comunicar diretamente com o cliente e assegurar a interlocução com autoridades, tribunais e parceiros. O domínio de várias línguas exige a identificação precisa dos conceitos jurídicos, a compreensão do alcance que lhes é reconhecido em cada ordem jurídica e a transposição da informação entre sistemas com preservação do respetivo sentido e dos efeitos jurídicos que lhe estão associados, sobretudo quando a terminologia não encontra correspondência exata entre ordenamentos. A dimensão cultural influencia igualmente a apresentação dos factos, a condução das negociações e a perceção do processo. Na REAL Avocats à la Cour, esta prática multilingue permite preservar a precisão da comunicação, antecipar divergências de interpretação e assegurar uma articulação coerente das matérias transfronteiriças, designadamente através da rede internacional do escritório e do Portugal Desk. A dimensão linguística e cultural integra, assim, a análise jurídica e a condução criteriosa dos assuntos que convocam diferentes ordens jurídicas.

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