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“tecnologia de humanos para humanos”

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Miguel Gonçalves,Fundador e CEO da E-goi, explica como a Inteligência Artificial, a automação e a unificação de dados estão a transformar o marketing digital e a relação entre marcas e consumidores.

A E-goi apresenta-se como uma plataforma de automação de marketing omnicanal, que integra canais como email, SMS, WhatsApp, notificações push e redes sociais. Que necessidades das empresas procuram responder através desta abordagem e de que forma pode melhorar a relação entre marcas e clientes?

O ponto de partida da E-goi é um diagnóstico concreto: os gestores de marketing vivem no caos, pressionados a adotar IA, mas trabalham com dados fragmentados por excesso de ferramentas.

A maioria dos sinais de intenção que os clientes deixam (site, loja online, loja física, consumo, campanhas) é ignorada, e falta unificação entre físico e digital. É o “problema dos silos”: dados dispersos, sem visão 360º, comunicação impessoal e impacto negativo nas vendas.

A resposta não é “estar em muitos canais”, mas implementar a verdadeira omnicanalidade. A lógica é quase relacional: para ser relevante, é preciso conhecer o cliente. Isso significa captar comportamento, unificá-lo no CDP e agir no canal e momento certos, ligando online e loja física.

O ganho está na relevância, na coerência phygital e na redução de fricção, transformando “o caos do marketing num motor de crescimento”. A E-goi cita que a personalização pode gerar até 15% em novas vendas.

A E-goi tem vindo a apostar na automação e na Inteligência Artificial para criar campanhas mais personalizadas. De que forma estas tecnologias estão a transformar o marketing digital e qual considera ser o papel do fator humano neste processo?

Na E-goi, a IA é transversal a toda a tecnologia, em dois planos. A IA preditiva, com algoritmos desenvolvidos in-house e adaptados a cada negócio, inclui Next Best Offer (melhor produto por cliente), Send Time Optimization (melhor momento e canal), Churn Prediction e previsão de compra e abandono.

A IA generativa cobre a geração de conteúdo, performance de campanhas e segmentos inteligentes. Os nossos clientes apresentam resultados como +73% no ticket médio com Send Time Optimization e +33% com Next Best Offer.

Mas há uma tese central: a IA só funciona com matéria-prima. “Data Strategy é a matéria-prima” da transformação; sem quebrar silos nem unificar dados, a IA não tem sobre o que trabalhar. Daí tirar a IA do hype e levá-la ao ROI do dia a dia.

Quanto ao fator humano, é o traço mais forte da E-goi: “tecnologia de humanos, para humanos”, com a promessa de tornar o marketeer “super-humano”. As ferramentas dão superpoderes, mas há sempre pessoas ao lado, e a consultoria que prova o ROI é parte central da oferta.

A IA não substitui o profissional, amplifica-o, sempre “com respeito” pela audiência: a máquina prevê e reage, o humano define a estratégia e garante os resultados.

Nascida em Matosinhos, a E-goi acompanhou ao longo das últimas décadas a profunda transformação da tecnologia e da comunicação digital. Como foi construído este percurso e de que forma a evolução das necessidades das empresas foi influenciando o desenvolvimento das soluções e serviços da E-goi?

A E-goi nasce em 1999 em Matosinhos, pelas mãos do Miguel Gonçalves, como uma agência web. Em 2008 (com 10 pessoas), a agência transforma-se numa empresa de tecnologia, com o desenvolvimento de uma das primeiras ferramentas mundiais de Automação de Marketing Multicanal. Em 2015 (já com 70 pessoas), chegam o loyalty, o transacional e o tracking de e-commerce 360º. Em 2019 (com 100 pessoas), surge o CDP, e afirmamo-nos como pioneiros nos primeiros modelos de IA para marketing e no phygital.

Em 2026, o foco é IA avançada, com os números que reivindicamos: mais de 700 mil utilizadores, 2 mil milhões de consumidores impactados e clientes em mais de 80 países.

Cada fase acompanhou as necessidades das empresas: do broadcasting para a relação, daí para a unificação de dados (CDP), depois para o phygital e agora para a IA.

O ADN que mantemos é “inovação com valor e proximidade ao cliente”: não vender só software, mas entregar método e acompanhamento. O nosso foco é B2C com grandes audiências em retalho, e-commerce e serviços, tendo Portugal, Brasil e Espanha como geografias centrais.

Num contexto em que os consumidores valorizam cada vez mais uma comunicação personalizada, como podem as empresas utilizar os dados dos seus clientes de forma eficaz, respeitando simultaneamente a sua privacidade?

Estes dois objetivos não estão em oposição: bem geridos, reforçam-se. O uso eficaz dos dados começa por privilegiar os first-party data (recolhidos com consentimento na relação direta com o cliente), unificá-los numa visão única de cada pessoa e usá-los para tornar a comunicação relevante em vez de intrusiva.

A segmentação, a personalização e o momento do envio ganham qualidade quando assentam em comportamento real, e não em suposições.

O respeito pela privacidade não é um travão, é a condição para que tudo funcione de forma sustentável. Na prática: cumprir o RGPD, pedir consentimento claro, ser transparente sobre o que se recolhe e para quê, praticar minimização, garantir segurança e dar ao cliente controlo real através de centros de preferências.

Há uma lógica de troca de valor: as pessoas partilham dados quando recebem em troca uma experiência melhor. Com o fim dos cookies de terceiros, esta abordagem assente em confiança e dados próprios deixou de ser só boa prática ética para ser vantagem competitiva.

A E-goi mantém uma relação próxima com o meio académico, nomeadamente através da iniciativa anual de receber alunos do mestrado em Marketing Digital do ISCAP. Que importância atribui à aproximação entre empresas e instituições de ensino e de que forma esta ligação pode contribuir para a formação de profissionais mais preparados para os desafios do mercado?

A ligação entre a E-goi e instituições como o ISCAP, o IPAM e muitas outras, em Portugal mas também no exterior (Espanha, Brasil, Colômbia, etc.), tem valor nos dois sentidos.

Para os estudantes de Marketing e de Engenharia Informática, o contacto com a E-goi transforma conceitos abstratos em prática: veem ferramentas, problemas e decisões reais, o que encurta a distância entre a formação e o mercado.

Para a empresa, é uma janela para talento em formação, uma forma de employer branding e uma fonte de olhares novos sobre problemas conhecidos. O impacto na preparação dos profissionais é de relevância e atualidade. O marketing digital muda depressa: ferramentas, canais e regras evoluem em ciclos curtos, e a proximidade com quem opera no terreno mantém os currículos alinhados com o que o mercado exige hoje. Quem já contactou com plataformas de automação, CDP e casos reais de IA aplicada chega ao primeiro emprego com uma curva de aprendizagem mais curta e uma noção mais realista do trabalho.

Para o ecossistema de Matosinhos e do Porto, ajuda ainda a reter e fazer crescer talento na região.

Com uma experiência consolidada no setor e uma presença internacional, como perspetiva a E-goi a evolução do marketing digital nos próximos anos e quais serão os principais desafios e oportunidades para a empresa?

As tendências dos próximos anos apontam para uma personalização cada vez mais fina e assistida por IA, para o crescimento do comércio conversacional (WhatsApp, RCS e afins), para a centralidade dos dados próprios num mundo sem cookies de terceiros e para agentes de IA capazes de executar tarefas de marketing de forma mais autónoma.

Ao mesmo tempo, cresce a exigência de uma experiência verdadeiramente unificada entre o físico e o digital.

Os desafios acompanham as oportunidades. Do lado da confiança, a privacidade e a ética no uso de IA vão ganhar peso, e quem os tratar bem sai à frente.

Do lado competitivo, há a pressão das grandes plataformas globais, o que reforça a importância de nichos bem servidos, no caso da E-goi o retalho e o e-commerce.

E há o desafio que nós próprios identificamos: tornar a IA prática e acessível, sobretudo para quem não tem equipas de dados dedicadas.

As oportunidades estão aí: na democratização da IA, no crescimento do e-commerce (com destaque para o Brasil e a América Latina) e na procura por soluções que juntem dados, automação e omnicanalidade num só sítio.

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