O eurodeputado e vice-presidente do PSD Sebastião Bugalho foi o convidado de um almoço-debate promovido pelo International Club of Portugal, onde refletiu sobre o papel da Europa no atual contexto geopolítico e comentou o cenário político português.
“Europa – anão geopolítico ou parceiro preferencial?” foi o tema que orientou a intervenção de Sebastião Bugalho, num encontro que colocou em análise os desafios que atualmente se colocam à União Europeia e o seu posicionamento perante as transformações do panorama internacional.
Durante a sessão de perguntas, o eurodeputado foi também confrontado com as sondagens que têm colocado a coligação PSD/CDS-PP atrás do PS e do Chega. Bugalho afirmou não ser indiferente aos dados divulgados, mas contrapôs com um cenário hipotético: questionou como seriam os resultados caso PS e Chega se unissem no Parlamento com o objetivo de derrubar o Governo. Na sua perspetiva, perante essa possibilidade, “as sondagens mudariam muito rapidamente”.
O dirigente social-democrata manifestou ainda confiança na continuidade da atual legislatura até 2029, considerando que o Executivo tem conseguido avançar com medidas num contexto internacional particularmente exigente. Entre os exemplos apontados estiveram a aprovação dos Orçamentos do Estado, a concretização de reformas e a manutenção da estabilidade política dentro das condições possíveis.

A influência portuguesa no projeto europeu
Um dos momentos centrais da intervenção foi dedicado à capacidade de Portugal para participar ativamente na definição das políticas europeias. Sebastião Bugalho destacou, em particular, o trabalho de três ministros com experiência anterior no Parlamento Europeu: Paulo Rangel, Maria da Graça Carvalho e José Manuel Fernandes.
O eurodeputado apontou como exemplos a posição assumida pela diplomacia portuguesa relativamente ao Médio Oriente, a estratégia “Água que Une” e o mecanismo de seguros destinado a responder a catástrofes naturais. Segundo explicou, algumas destas iniciativas nacionais terão contribuído para influenciar propostas posteriormente apresentadas pela Comissão Europeia.
Bugalho defendeu, assim, que Portugal pode desempenhar um papel relevante na construção das respostas europeias, através da capacidade dos seus representantes para apresentar propostas e influenciar decisões além-fronteiras. Num momento mais descontraído, e depois de destacar o percurso europeu dos três governantes, afirmou, com ironia, que não pretendia concluir que “os eurodeputados dão ótimos ministros”, acrescentando de seguida: “Mas o facto é que dão”.

Uma Europa mais forte e aberta ao mundo
Na parte final da intervenção, Sebastião Bugalho centrou-se no futuro da União Europeia e na necessidade de reforçar a sua posição num mundo marcado por novas tensões e desafios geopolíticos.
O eurodeputado mostrou-se confiante de que, até ao final da década, a Europa poderá afirmar-se como “parceiro preferencial” daqueles que procuram estabelecer relações de cooperação e consolidar-se enquanto potência económica. Na sua visão, a resposta europeia deverá assentar na confiança, na estabilidade e na segurança, sem abdicar de uma maior capacidade de afirmação internacional. Para Bugalho, num contexto em que as relações entre diferentes potências estão a ser redefinidas, o isolamento não representa necessariamente maior autonomia, sendo fundamental preservar a cooperação e reforçar o papel da Europa no panorama mundial.








