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O futuro digital da região Oeste

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A transição digital é hoje um fator crítico de competitividade para as empresas. Na região Oeste, a ACIRO tem acompanhado centenas de PME neste processo, através do projeto Acelerar 2030. Em entrevista, Cátia Bernardino, Gestora de Transição Digital, reflete sobre o balanço do projeto, os desafios do tecido empresarial e o papel de proximidade da associação junto das empresas.

A ACIRO desempenha um papel de proximidade junto do tecido empresarial da região Oeste. Como define atualmente a missão da associação e de que forma se concretiza o apoio que presta às empresas e empresários?

A missão da ACIRO assenta, antes de mais, na proximidade às empresas e na capacidade de compreender as necessidades específicas de quem desenvolve atividade económica no território. Representar o tecido empresarial significa estar presente, ouvir, antecipar necessidades e criar respostas que contribuam efetivamente para a competitividade e sustentabilidade dos negócios.

Essa missão concretiza-se através de um acompanhamento próximo e contínuo dos empresários, disponibilizando apoio técnico, jurídico e económico, formação, informação sobre incentivos e oportunidades de financiamento e acompanhamento de projetos. Concretiza-se também na capacidade de mobilizar parceiros e recursos para o território. Num contexto económico em permanente mudança, uma associação empresarial deve ser, cada vez mais, um ponto de ligação entre as empresas, o conhecimento, as instituições e as oportunidades de desenvolvimento.

 

 

 

O projeto Acelerar 2030 tem como principal propósito apoiar as empresas na sua transição digital. Que balanço faz a ACIRO deste projeto e quais considera terem sido os principais objetivos alcançados até ao momento?

O balanço é muito positivo, não apenas pela dimensão alcançada, mas sobretudo pela capacidade de chegar a empresas com realidades e níveis de maturidade digital muito distintos.

Na região Oeste foram realizados 1.191 diagnósticos de maturidade digital, 780 empresas integraram o Catálogo de Serviços para a Transição Digital e 775 receberam voucher. No indicador final do projeto, relativo às empresas com serviços em prestação ou já concluídos, foram alcançadas 579 empresas, o que corresponde a 122% de execução e supera em mais de uma centena a meta de 475 empresas estabelecida para o Oeste.

Estes resultados traduzem um trabalho de grande proximidade desenvolvido pela ACIRO e pela ACCCRO e, acima de tudo, a adesão das empresas da região. Mais do que cumprir uma meta, foi possível mobilizar centenas de PME para avaliarem a sua maturidade digital, identificarem necessidades e avançarem para medidas concretas de modernização dos seus negócios.

Através do diagnóstico da maturidade digital, foi possível identificar as principais necessidades de cada empresa. Que evolução tem observado nas empresas acompanhadas e em que áreas o projeto teve maior impacto?

O diagnóstico confirmou que não existe um único ponto de partida para a transformação digital. Encontrámos empresas com necessidades muito elementares e outras já com processos digitalizados, mas com margem para evoluir para soluções mais especializadas. Esta avaliação permitiu a cada empresa conhecer melhor o seu nível de maturidade e identificar áreas onde a tecnologia poderia acrescentar valor. As soluções escolhidas abrangeram diferentes dimensões, desde a presença digital, comércio eletrónico e marketing digital até ferramentas de gestão e relacionamento com clientes, cibersegurança, automatização e análise de dados.

Mas há uma evolução que consideramos particularmente relevante: uma maior consciência de que a transição digital não se resume a estar presente online. Quando integrada na estratégia do negócio, a tecnologia pode melhorar processos, reforçar a relação com os clientes, apoiar a gestão e aumentar a capacidade competitiva das empresas.

Ao longo do Acelerar 2030, quais foram os principais desafios que as empresas tiveram de superar no processo de transformação digital e que mudanças concretas destaca nas empresas apoiadas pela ACIRO?

Para muitas micro e pequenas empresas, o primeiro desafio foi perceber onde fazia efetivamente sentido investir. A gestão diária deixa pouco tempo para acompanhar a evolução tecnológica e um mercado com inúmeras soluções torna a decisão ainda mais exigente. A transformação digital começa, muitas vezes, por saber identificar uma necessidade e escolher uma resposta adequada à dimensão, aos recursos e aos objetivos de cada negócio.

Foi neste contexto que o acompanhamento de proximidade assumiu particular importância. Ao longo do processo, os beneficiários puderam contar com o aconselhamento técnico das equipas no terreno, remotamente ou presencialmente através da ACIRO e da ACCCRO. O diagnóstico ajudou a identificar necessidades e oportunidades de melhoria, mantendo-se sempre na empresa a decisão sobre as soluções a implementar. As mudanças são naturalmente diferentes de empresa para empresa: maior presença e capacidade de comercialização online, melhores ferramentas de gestão e relacionamento com clientes, reforço da segurança digital ou automatização de tarefas. A par destas mudanças, fica também uma maior capacidade para avaliar futuras decisões de investimento em tecnologia.

 

 

 

Para além do Acelerar 2030, quais considera serem os principais desafios do tecido empresarial da região Oeste e de que forma a ACIRO procura responder a essas necessidades?

O tecido empresarial enfrenta hoje vários desafios em simultâneo: custos de contexto, dificuldade em captar e reter recursos humanos, necessidade permanente de qualificação, adaptação tecnológica, exigências regulatórias e um contexto económico que obriga as empresas a procurar continuamente maior eficiência e competitividade.

Numa região onde as PME têm um peso determinante, a proximidade é essencial, mas não é suficiente. É igualmente importante criar condições para que as empresas tenham acesso a conhecimento, competências, financiamento e redes de cooperação. É nesse espaço que a ACIRO procura atuar, através da representação dos interesses empresariais, da formação e capacitação, do apoio técnico e da participação em projetos capazes de trazer novas oportunidades para o território.

Mais do que responder a necessidades pontuais, importa acompanhar as empresas ao longo do seu percurso e ajudá-las a antecipar mudanças e a transformar desafios em oportunidades de desenvolvimento.

Que futuro ambiciona a ACIRO para a associação e para as empresas que representa? Quais serão as principais prioridades para continuar a promover a competitividade e o desenvolvimento da região Oeste?

Ambicionamos uma ACIRO cada vez mais próxima das empresas, atenta às transformações da economia e capaz de continuar a representar e responder às necessidades de um tecido empresarial em permanente evolução.  O Acelerar 2030 deixa-nos também uma aprendizagem importante: os instrumentos de apoio produzem maior impacto quando, para além dos recursos disponibilizados, existe proximidade, informação e acompanhamento. A capacidade demonstrada pelas empresas do Oeste para aderirem ao projeto e avançarem nos seus processos de transição digital é um sinal positivo para o futuro. Continuar a promover a qualificação, a inovação, a adoção de tecnologia, a cooperação e o acesso a novas oportunidades será fundamental para reforçar a competitividade empresarial.

A ACIRO pretende continuar a ser parte ativa desse caminho, dando voz às empresas, aproximando recursos do território e contribuindo para uma região Oeste mais competitiva, dinâmica e preparada para os desafios futuros.

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