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Cadaval quer crescer com identidade e sustentabilidade

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Ricardo Pinteus, Presidente da Câmara Municipal do Cadaval, traça uma estratégia assente na coesão social, na proximidade dos serviços públicos e na valorização do território, apontando a habitação, a saúde e a afirmação da Serra de Montejunto como eixos centrais para reforçar a qualidade de vida, atrair população e consolidar o desenvolvimento sustentável do concelho.

Quais considera serem hoje as três prioridades estratégicas para o concelho do Cadaval e como pretende traduzi-las em resultados concretos até ao final do mandato?

Hoje, as três prioridades estratégicas para o concelho do Cadaval podem sintetizar-se em: qualificação das pessoas e coesão social; investimento em serviços públicos de proximidade e valorização do território, do ambiente e da identidade local.

No plano social, a Estratégia Local de Habitação já está em execução, permitindo responder a carências habitacionais através da construção e reabilitação de habitações para famílias vulneráveis, com apoio de programas como o PRR. O objetivo é concluir e atribuir estas habitações em várias freguesias e reforçar a articulação entre o Município, IPSS e outras entidades sociais, garantindo que ninguém fica para trás.

Em paralelo, aposta-se no reforço dos serviços públicos, com destaque para a melhoria do acesso à saúde, qualificação do espaço público, mobilidade e equipamentos desportivos e culturais, promovendo melhores condições de vida para quem aqui reside e trabalha.

Por fim, a valorização do território passa pelo apoio ao associativismo e ao desenvolvimento de projetos locais, reconhecendo o seu papel central na identidade e dinamização do Cadaval.

 

Ricardo Pinteus, Presidente

 

O orçamento municipal para 2026 aponta a habitação social e a ampliação do Centro de Saúde como apostas centrais: o que falta, na prática, para que estas duas áreas passem a respostas visíveis para a população?

O orçamento municipal para 2026 mantém como prioridades a habitação e a saúde, articulando-se com instrumentos de financiamento, como o PRR e a Estratégia Local de Habitação.

Na habitação, decorrem já obras de construção e reabilitação de fogos a custos acessíveis, com execução faseada ao longo do mandato. O principal desafio é concluir os projetos num contexto de aumento de custos e prazos na construção, assegurando os recursos necessários.

Na saúde, destaca-se o projeto da Sala de Movimento e Apoio à Unidade de Saúde Familiar do Cadaval, inicialmente financiado em parte por verbas nacionais no valor de 501.072,00€.

Contudo, o aumento significativo dos custos da obra em quase 50%, tornou inviável a sua concretização apenas com recursos municipais. Perante isso, o Município está a preparar uma candidatura ao programa CENTRO 2030 para garantir financiamento adicional e viabilizar a execução da infraestrutura, essencial para melhorar os serviços de saúde locais.

Como é que a Câmara Municipal pretende conciliar crescimento, requalificação urbana e preservação da identidade do Cadaval, sobretudo nas freguesias e nas zonas mais sensíveis do ponto de vista ambiental e territorial?

O concelho do Cadaval alia uma forte identidade rural e agrícola a uma localização estratégica na Região, exigindo um equilíbrio entre crescimento e preservação do território.

A Câmara Municipal está a trabalhar com base em instrumentos como o novo Plano Diretor Municipal, em vigor desde abril de 2026, e na salvaguarda da Paisagem Protegida da Serra de Montejunto, garantindo um desenvolvimento urbano concentrado e sustentável, evitando a dispersão.

A aposta passa pela requalificação dos centros urbanos, reabilitação de edifícios e melhoria do espaço público – passeios, acessibilidades, zonas verdes – em vez de expansão desordenada. Em paralelo, valoriza-se o património, as tradições, a agricultura e assegura-se que novos projetos respeitam as condições ambientais e paisagísticas, preservando assim a identidade do Cadaval.

Que papel quer dar à Serra de Montejunto e ao património natural e paisagístico do concelho na estratégia de desenvolvimento económico, turístico e de fixação de população?

A Serra de Montejunto é um dos principais ativos do concelho do Cadaval, destacando-se pelo seu valor ecológico, geológico, paisagístico e cultural. Classificada como Paisagem Protegida e integrada na Rede Natura 2000, alberga uma biodiversidade relevante e património histórico como a Real Fábrica do Gelo.

O Município encara a serra como um pilar do desenvolvimento sustentável, estando a preparar um projeto estruturante que a afirma como destino de turismo de natureza, com percursos, atividades ao ar livre e interpretação ambiental, beneficiando da proximidade a Lisboa.

Esta valorização contribui também para a fixação de população e criação de emprego, reforçando o posicionamento do Cadaval como um território com qualidade de vida, ligado à natureza e orientado para a sustentabilidade.

 

 

O Festival da Juventude, que decorreu nos dias 22, 23 e 24 de maio, foi apresentado como um marco importante para o concelho: como avalia o impacto deste evento na vida dos jovens do Cadaval e que condições irá a Câmara criar para que iniciativas como esta ganhem continuidade nos próximos anos?

O Festival da Juventude foi um sucesso, com uma adesão fantástica por parte dos jovens do concelho e da região, afirmando-se como uma iniciativa alinhada com os seus interesses e promotora de participação ativa no espaço público. A programação, desenvolvida em parceria com escolas e associações, conjugou concertos com atividades desportivas e de convívio, reforçando o sentimento de pertença e gerando impacto positivo na economia local. É intenção clara do Município continuar e reforçar o investimento neste festival, consolidando-o como referência anual, com um cartaz atrativo, maior envolvimento da comunidade e recurso a apoios nacionais e europeus dedicados às políticas da juventude, para garantir o seu crescimento sustentável.

Sendo o Cadaval um concelho com necessidade de atrair e reter jovens e famílias, que medidas concretas está a preparar para tornar o município mais competitivo em emprego, habitação e qualidade de vida?

Num concelho que, como o Cadaval, precisa de atrair e reter jovens e famílias, a competitividade constrói-se num equilíbrio entre emprego, habitação acessível e qualidade de vida.

Na habitação, destaca-se a implementação da Estratégia Local de Habitação, com respostas dirigidas a famílias em situação de vulnerabilidade. Ao nível económico, o concelho evidencia potencial em setores como a agroindústria – em particular na fileira da Pera Rocha, da maçã e da uva – vitivinicultura, turismo rural e de natureza, bem como comércio, serviços e pequena logística, beneficiando de uma localização estratégica entre Lisboa e a Serra de Montejunto, com bons acessos pela A8 e A1, proximidade ao Aeroporto Humberto Delgado e uma combinação rara entre qualidade de vida, tradição agrícola e oportunidades de crescimento.

Para tornar o município mais competitivo, a Câmara Municipal está focada em três linhas de atuação: apoio à instalação de empresas e acesso a incentivos; qualificação do território e infraestruturas, com base no novo PDM; e promoção do Cadaval como destino atrativo para viver, investir e visitar. A qualidade de vida é trabalhada através do investimento em equipamentos educativos, disponibilização de serviços e apoios regulares à família como o serviço de prolongamento de horário nos estabelecimentos de ensino, facilitando a conciliação entre a vida profissional e familiar, investimento em equipamentos desportivos e culturais, na oferta regular de eventos e na valorização do património natural, em particular da Serra de Montejunto, como marca distintiva do território.

Em síntese, a ação municipal está orientada para criar um ecossistema favorável a quem aqui quer viver, estudar, investir e constituir família, reforçando o posicionamento do Cadaval como um concelho coeso, sustentável e com futuro na região Oeste.

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