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130 anos de proximidade ao serviço dos Açores

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A celebrar 130 anos de história, a CEMAH – Caixa Económica da Misericórdia de Angra do Heroísmo, Caixa Económica Bancária, S.A. – afirma-se como uma instituição sólida e profundamente enraizada nos Açores, onde combina tradição, proximidade e compromisso social com uma visão orientada para o futuro. Em entrevista, o Presidente António Maio reflete sobre o percurso da instituição, os desafios do sistema financeiro regional e o papel que a CEMAH pretende desempenhar na promoção de um desenvolvimento económico mais sustentável e inclusivo na Região.

Ao celebrar 130 anos de história, que balanço faz a CEMAH do seu percurso ao serviço da economia social, da comunidade e do desenvolvimento dos Açores?

O balanço destes 130 anos é, sem dúvida, positivo. A CEMAH soube adaptar-se às transformações económicas, sociais e regulamentares que marcaram o seu percurso, preservando a missão que esteve na sua génese: apoiar a ação social desenvolvida pelas suas duas entidades acionistas, ao mesmo tempo que se moderniza e reforça a sua presença na Região.

Ao longo deste percurso, demonstrámos capacidade de resiliência e adaptação, acompanhando a evolução do setor financeiro sem abdicar da nossa vocação social. Celebrar 130 anos é, por isso, reconhecer uma história construída com proximidade, responsabilidade e um compromisso permanente com o desenvolvimento das comunidades que servimos.

 

António Maio, Presidente

 

Que elementos da identidade da CEMAH considera mais decisivos para que a instituição mantenha, ao longo de 130 anos, uma relação de confiança com os seus clientes e com a sociedade açoriana?

A confiança conquistada ao longo de mais de um século assenta, em grande medida, na proximidade que caracteriza a atuação da CEMAH. Mantemos uma relação próxima com os nossos clientes, conhecemos as suas realidades e procuramos responder às suas necessidades de forma personalizada, o que nos distingue.

Esta proximidade reflete-se diariamente no atendimento prestado, mas também na própria estrutura de decisão, assente num conhecimento profundo dos clientes e das suas necessidades.

Em simultâneo, mantemo-nos fiéis ao compromisso com o bem comum e o apoio à ação social, contribuindo para consolidar uma relação de credibilidade e confiança junto da sociedade açoriana.

Hoje, essa proximidade estende-se também ao plano digital, garantindo que os clientes continuam a encontrar na CEMAH um parceiro acessível, independentemente da distância física.

A inclusão financeira é hoje um tema central nas economias contemporâneas. Que iniciativas concretas tem a CEMAH vindo a desenvolver para garantir o acesso a serviços financeiros a diferentes segmentos da população açoriana?

Garantir um acesso inclusivo aos serviços financeiros é uma preocupação permanente da CEMAH. Procuramos assegurar que todos os clientes, independentemente da sua condição socioeconómica ou perfil, encontrem na instituição respostas adequadas às suas necessidades. A dispersão geográfica dos Açores coloca desafios específicos. Por isso, a expansão da nossa rede de balcões tem sido acompanhada pelo investimento em soluções digitais que aproximam a instituição dos seus clientes, garantindo que a localização geográfica não constitui um obstáculo ao acesso a serviços financeiros essenciais. Acreditamos que a inclusão financeira não depende apenas da disponibilização de produtos e serviços, mas também da capacidade de ouvir, orientar e acompanhar cada cliente de forma próxima e responsável, reforçando o nosso papel ao serviço das empresas, pessoas e comunidades.

Enquanto instituição ligada à Irmandade da Misericórdia, de que forma se refletem os valores de solidariedade e responsabilidade social nas práticas e políticas da CEMAH?

Os valores de solidariedade e responsabilidade social fazem parte da identidade da CEMAH desde a sua fundação e continuam a orientar a sua atuação. A principal expressão desse compromisso encontra-se no apoio prestado às entidades acionistas, através da distribuição de dividendos que contribuem para o financiamento das suas atividades de carácter social.

Contudo, esta responsabilidade vai além dessa dimensão institucional. Reflete-se também na forma como procuramos desenvolver a nossa atividade diária, prestando serviço a todos os clientes, numa ótica de igualdade. Num contexto em que o setor financeiro enfrenta constantes desafios e exigências crescentes, a CEMAH procura demonstrar que é possível conciliar rigor e sustentabilidade com uma genuína preocupação pelo impacto social da sua ação. É essa matriz de serviço e de atenção às pessoas que continua a distinguir a instituição, mais de 130 anos depois da sua criação.

Quais são, na sua perspetiva, os principais desafios e oportunidades para o sistema financeiro regional nos Açores, e que papel poderá a CEMAH desempenhar na sua resposta?

A recente celebração dos 130 anos foi um momento de reflexão sobre o papel da CEMAH enquanto parceira do desenvolvimento da Região. Numa conferência alusiva à data, com a Prof. Helena Marques como keynote speaker e um ilustre painel representativo da academia, do empresariado e da governação, emergiu uma ideia clara: os Açores dispõem de ativos únicos – biodiversidade, autenticidade, qualidade, uma natureza ímpar e uma história de que muito nos orgulhamos –, mas precisam de mais economia.

A questão já não é se existe potencial, mas sim como transformar essa vantagem distintiva em crescimento sustentável e valor para a Região. Cremos que a CEMAH está bem posicionada para contribuir para essa concretização. Num contexto de incerteza, continuamos a ser uma referência de segurança e estabilidade, distinguindo-nos pela proximidade, pelo conhecimento do território e pela relação de confiança construída ao longo de gerações com empresas e famílias. E não podemos esquecer as competências humanas – a empatia, a comunicação e a capacidade de reinvenção – que permanecem determinantes e constituem parte intrínseca do nosso legado.

 

 

Olhando para o futuro, como ambiciona a CEMAH reforçar o seu contributo para a projeção dos Açores como um território de excelência, sustentável e competitivo, tanto a nível nacional como internacional?

A relevância das instituições mede-se pelo seu contributo para o bem-estar da comunidade.

Depois de celebrarmos o passado, olhamos para o futuro com consciência dos desafios de um mundo em constante mudança. Internamente, a digitalização e a IA são ferramentas indispensáveis para reforçar a competitividade e a eficiência, sem nunca comprometer a solidez da instituição, assente numa gestão prudente e nos valores que orientam a CEMAH desde a sua fundação, enquanto pilar da economia social nos Açores.

Externamente, a Região dispõe de um ativo cada vez mais valorizado: o seu capital natural e a liderança em biodiversidade. O desafio está em transformar essa vantagem em crescimento económico sustentável e em valor tangível para a comunidade.

Com forte implantação regional – 14 balcões em seis ilhas – a CEMAH está bem posicionada para contribuir para essa estratégia. A recente abertura de um balcão no Porto, em parceria com a ABF, poderá reforçar a nossa atividade, expandindo o negócio e diluindo custos fixos, sem desvirtuar a missão original, antes fortalecendo-a.

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