EMPRIL: 30 anos de investimento e projetos no setor imobiliário
Com atividade no mercado imobiliário em Portugal desde 1987, o Grupo EMPRIL disponibiliza um conjunto de serviços no setor imobiliário a proprietários, residentes e investidores, com incidência na Área Metropolitana do Porto. Em entrevista à Revista Business Portugal, Luís Rouxinol, administrador da EMPRIL, descreveu o nascer da empresa e a sua evolução, comentou o contexto, anterior e atual do setor, e, projetou o futuro da empresa, que completa 30 anos.
Nascimento da empresa
A EMPRIL surge nos anos 80, na sequência do incremento de atividade no setor imobiliário no país. Resulta da conjugação de dois comerciais e um engenheiro civil, com vontade de explorar um novo setor. Começámos a atividade, numa primeira fase, na mediação, mas logo evoluímos para o investimento, com a aquisição de terrenos, desenvolvimento de loteamentos, e uma penetração maior no setor do imobiliário, indo além da comercialização. Estabelecemo-nos na cidade do Porto, e crescemos a partir daí. Mais tarde, e depois de ter assumido a EMPRIL, na totalidade, evoluímos, com a abertura de novas instalações, até à construção de um edifício próprio, em Vila Nova de Gaia, onde se instalaram as já várias empresas que constituem o grupo.
A evolução estrutural ao longo do tempo
É um percurso de 30 anos, com um desenvolvimento em várias etapas. Como disse, o grupo foi para além da mediação, e, por isso, acabou por evoluir para um grupo económico, que hoje abrange as várias vertentes do imobiliário, projetando e construindo nos segmentos de habitação, serviços, retalho e comércio. A EMPRIL gere e comercializa todo o produto criado pelas várias empresas do grupo, mantendo-se como entidade agregadora, no qual eu sou o elemento comum. A área geográfica de atividade é o Grande Porto, pois a observação e intervenção direta nos projetos faz parte da nossa forma de atuar. Sendo a localização a característica mais importante de um imóvel, faz sentido estarmos próximos. De momento, para além dos projetos em fase de finalização, estamos envolvidos em seis novos projetos, divididos entre reabilitação e obra nova, entre o Porto e Vila Nova de Gaia.
O cunho da marca EMPRIL
Existiu sempre a preocupação, em todos os projetos, de maior ou menor dimensão, em cuidar do ordenamento, bem como dotá-los de pormenores de interesse dos clientes, para que as famílias usufruam de comodidades diferenciadoras, que criam mais-valia a todos os utilizadores. O momento da construção massificada já foi ultrapassado, hoje estamos muito focados na qualidade e no conforto, optando por projetos de menor dimensão, com mais detalhe, e sobretudo bem localizados. Se temos qualidade e prestígio, o mercado responde de forma favorável. Se, durante a crise, os apartamentos se vendiam já muito perto da sua conclusão, hoje, com uma maior procura resultante da recuperação da estabilidade económica das famílias, vendem-se imóveis em início de construção, o que confirma que a credibilidade da empresa continua inabalável.
Superar a crise e o surgimento de uma novidade
Estivemos na fase de grande produtividade nos finais dos anos 90 e anos 2000, com a criação de loteamentos, urbanizações, sempre numa lógica de reinvestimento. Depois, vivemos a fase mais difícil, a partir de 2008, com sete anos muito complicados e muitas empresas a desviarem-se do setor. Nós ficámos, não dependendo de resultados imediatos e usufruindo da filosofia de reinvestimento constante que foi sustentando as várias empresas do grupo. Esta base permitiu superar esse período, estabilizar, acabar o produto que tínhamos e arrumar a casa. A vaga de reabilitação presente no setor, com fatores que a favorecem, como é exemplo os regulamentos camarários benéficos e as vantagens fiscais. A fase da requalificação no centro da cidade foi extraordinária e o facto de estarmos atentos e presentes nesse momento, contribuiu para um pleno retorno ao mercado.
A conjuntura atual
Este hiato de atividade, devido à crise, acabou por criar uma nova conjuntura. Se formos a reparar, passaram 10 anos. Há uma geração que se formou, mas nesta primeira fase, a exigibilidade da banca é maior. Só os que detêm maior capacidade de dar garantias ao financiamento, que tinha passado de 100 para zero, é que o conseguem. Atualmente, há um claro incremento na concessão de crédito para habitação, mas com muita cautela, estudando muito bem o cliente e financiando apenas em parte. Isto também regula o mercado, o que para nós é positivo. Se tínhamos uma concorrência desordenada, em que qualquer empresa passava, de repente, a ser promotora imobiliária, hoje temos um mercado mais organizado e seletivo. O investimento em imobiliário continua a ser apropriado e acertado, mas com muito mais rigor, no que respeita aos critérios para atribuição de crédito.
A influência da banca
A banca e o imobiliário é uma ligação fundamental. Entendo, que mantendo-se este controlo sobre o financiamento, por parte da banca, a mensagem será de que atual conjuntura é sustentável. No momento anterior à crise, as facilidades de financiamento contribuíram para alguns excessos no mercado imobiliário. A própria banca também encontrou no imobiliário uma solução de expansão, motivando a captação de novos clientes e oferecendo-lhes pacotes de serviços financeiros que iam além do empréstimo. A crise veio destapar este problema. A banca, que alavancava vários grupos económicos do setor, cativando, motivando e quase ‘empurrando’ para mais construção, de repente inverteu a tendência. Durante os últimos anos, quase nem se podia falar de imobiliário, era como um produto tóxico! A atividade do setor parou porque a máquina deixou de funcionar, tanto, que são vários os exemplos de prédios que ficaram por terminar por largos anos.
O fator do turismo e o interesse estrangeiro
O mercado imobiliário atual tem duas vertentes fundamentais: o puro residencial e o mercado imobiliário que resulta da recuperação do centro das cidades, que em muito depende do fator turismo. Os indicadores continuam a apontar o turismo como uma importante influência, para este segmento de mercado. Os fatores que nos rodeiam – clima, segurança, pontos de interesse – também contribuem para este crescimento de investimento estrangeiro. Temos clientes franceses, árabes e de países nórdicos a comprarem cá imóveis por ser um local convidativo não só para viverem mas também como fonte de rendimento, através do arrendamento e do alojamento local. Também o comércio e os serviços têm aproveitado deste ‘élan’ em torno da cidade, que se traduz pela chegada, quase diária, de nova insígnias e marcas internacionais.
Balanço dos 30 anos de atividade e o futuro da EMPRIL
Foram 30 anos de muito trabalho, devidamente sedimentados em vários patamares. Fomos crescendo, adaptando e alargando a área de influência, conquistando mercado e credibilidade. Gosto de desenvolver projetos, de criar novos projetos e pensar sempre no próximo. Neste momento, a empresa ainda depende muito de mim, mas o grupo por si só tem todas as condições para continuar. Já fizemos de tudo, quer no mercado residencial, quer no mercado empresarial. O objetivo, no curto prazo, passa pelo desenvolvimento de projetos de rendimento, na área dos serviços e hotelaria, que reforcem a sustentabilidade futura














